O candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou, em 18 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, um plano de governo com foco em enxugar o Estado, digitalizar a economia, retomar desestatizações e endurecer ações de segurança pública. O documento também prevê o compartilhamento de dados do SUS com a rede privada, a partir da digitalização de prontuários.
Plano tem 76 páginas e nove eixos
Chamado de Para o Brasil Vencer o Atraso, o programa tem 76 páginas e reúne propostas organizadas em nove eixos. No trecho “Brasil que Não Volta Atrás”, Flávio Bolsonaro afirma que fará um “tesouraço” nos gastos públicos e propõe uma reforma administrativa com corte de dez ministérios, além de cargos comissionados e despesas. O texto também menciona a revisão do pacto federativo com estados e municípios e aponta a intenção de um governo próximo ao de Jair Bolsonaro, presidente do país entre 2019 e 2022.
Segurança: narcoterrorismo, fronteiras e idade penal
O plano começa pelas ações na área de segurança. No documento, o candidato diz que pretende declarar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas. Para combater a entrada de drogas no país, ele propõe uma “tropa de elite” das Forças Armadas para patrulhar as fronteiras.
O programa também sugere reduzir a idade penal de 18 para 14 anos, prevendo punição a partir dos 14 em crimes como estupro, tráfico, tortura e assassinato, citados no texto como crimes hediondos.
Economia: corte de gastos e revisão tributária
Na economia, Flávio Bolsonaro propõe reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis e revisar a reforma tributária, com o objetivo de incentivar o consumo das famílias. O documento coloca como principal medida da gestão o corte de gastos públicos, com a intenção de forçar a queda de juros no país.
O plano ainda sugere a criação de corredores logísticos para baratear o transporte, sobretudo de alimentos, além de aumentar a capacidade de armazenamento de safras do agronegócio e apoiar a produção nacional de fertilizantes.
Saúde: prontuários digitais e dados do SUS com rede privada
Na área de saúde, o candidato afirma que pretende digitalizar serviços públicos para reduzir burocracia e economizar tempo. O plano prevê começar pelos prontuários e propõe o compartilhamento do documento — com dados pessoais de pacientes — com hospitais privados. O texto também menciona “manter a imunização”.
Outra proposta é oferecer atendimento por telefone ou aplicativo em regiões com falta de médicos ou com longas filas de espera por especialistas.
Educação: método fônico e voucher para creches
Em educação, o programa afirma que mudará o método de alfabetização para o método fônico e propõe um voucher para que famílias paguem mensalidades em creches privadas. No ensino básico, há a proposta de remunerar alunos para aulas de reforço aos colegas. Para o ensino médio, o documento cita apenas a ampliação da oferta de cursos técnicos “para atender ao mercado”.
O plano também prevê criar mais escolas cívico-militares, incluir competências para a economia digital e robótica nos currículos, abrir escolas nas férias e transferir a educação superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Meio ambiente: licenciamento e energia fóssil
Apesar de o texto afirmar que não reconhece a existência de uma crise climática com aumento de eventos extremos no mundo, o plano traz medidas ambientais, com foco em flexibilizar o licenciamento. Na área de energia, a proposta menciona a exploração de combustíveis fósseis, a ampliação da produção de petróleo e gás e a liberação do fracking.
O documento também propõe “eliminar superposições” de atribuições entre órgãos como Funai e Ibama e permitir autolicenciamento em situações de decurso de prazo para emissão de licenças. Além disso, cita incentivos à produção de combustível sustentável de aviação e a aceleração de projetos de mineração com ampliação do capital estrangeiro.
Saneamento e habitação: concessões e Casa Verde e Amarela
No saneamento básico, o candidato defende acelerar concessões e parcerias privadas, com metas de levar água às escolas e fechar lixões a céu aberto. Em habitação, o texto prevê retomar o Programa Casa Verde e Amarela com o objetivo de construir 2,5 milhões de residências, a serem vendidas com “a menor taxa de juros possível”.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.