Como conheci sua mãe – Parte 4

Foto de Geison Vendramin

Geison Vendramin

— Nunca, Amigo do Jamais —

No episódio anterior, depois de um almoço, uma observação e um incentivo velado, voltei à rotina na firma. Quase no fim daquela mesma tarde, o telefone toca. Era ela.

— Vamos almoçar amanhã? Tenho um lance bacana pra te mostrar.
— Agora você me deixou curioso… o que é?
— Vem almoçar comigo que você descobre.

Combinado. No dia seguinte, de volta à cena do crime — se é que dá pra chamar assim — antes de qualquer coisa, fiz algo estratégico.

Mão no peito. Olho respeitoso.
— Salam Aleikum.

Cumprimentei a Dona Soraia antes mesmo de entrar na loja da Gih. Arrisco dizer que, ali, ganhei alguns pontos com a simpática senhora que, no futuro, teria autoridade formal sobre boa parte das minhas decisões.

Fomos almoçar na galeria. Tudo normal. Até deixarmos o restaurante. Ao passarmos pela loja que eu tinha comentado no dia anterior, ela soltou:

— Espera… vamos entrar.

Eu congelei. Como assim vamos entrar? Ela não só tinha ido atrás de todas as informações… como já estava com a chave.

Sim.
A chave.

Naquele momento, caiu a ficha. Em toda a minha vida, ninguém tinha se mobilizado daquele jeito por uma ideia minha. Aquilo não era um “quem sabe”. Era um “bora!”.

Entramos. Ela olhava o espaço com um brilho que, honestamente, era maior que o meu. E foi ali que eu entendi: ou eu avançava… ou eu ia perder algo grande antes mesmo de começar. Avancei.

Fomos até a imobiliária. Ela dominava os detalhes com uma segurança que eu definitivamente não tinha. Fechamos um bom negócio. Os dias seguintes foram de reforma.

Lixa.
Poeira.
Tinta.

E uma técnica de lixamento que merece registro histórico: uma lixa em cada mão, movimentos circulares gigantes… tipo o Sr. Miyagi limpando uma vitrine invisível. Rimos disso até hoje.

Corremos atrás de móveis. Balcões. Mesas. Equipamentos. E, sendo descendente de árabes, como já mencionei antes, Gihane tem um talento quase sobrenatural para negociar.

Preço bom, condição melhor ainda. Em pouco mais de um mês… estávamos abrindo uma copiadora na Galeria Cesar Franco. Mas antes de avançar tanto assim… preciso voltar um pouco. Porque existe um momento nessa história que foi, digamos… canônico.

Era uma Quarta-feira qualquer. Com a reforma em andamento, caminhávamos no calçadão, de mãos dadas, falando sobre obra, tinta, vida… quando, do nada, ela solta:

— Tá tudo muito legal… mas eu preciso saber: o que a gente é?

O tempo parou. Minha mente travou. Tela azul. O tempo parecia ter congelado e eu incapaz de processar corretamente qualquer coisa que me fosse apresentada. Minha reação?

Física. Pura, simples e literalmente física.

Eu soltei da mão dela.

Soltei.
A mão.
Dela.

Como quem larga uma travessa quente depois de perceber que se queimou. Foi o compromisso batendo insistentemente na porta da frente como uma testemunha de Jeová:

“O senhor tem um minuto para ouvir falar a palavra do comprometimento?”

E eu… não estava preparado. O que saiu foi:

— Mas por quê isso? Não tá bom assim? Pra que rótulo? Eu tô curtindo demais você… Se tá bom, por que mexer?

Silêncio.

— É…

O brilho dela sumiu… Nunca um “é” disse tanto e tão pouco ao mesmo tempo. Depois, ela me contou: ali, já estava apaixonada e minha reação… foi um balde de gelo. Achou que estava prestes a repetir histórias que não deram certo, mesmo assim, ela permaneceu. Com um pé atrás, mas permaneceu.. O tempo seguiu e, com ele, alguns testes curiosos.

Havia um sujeito que insistia em investir nela. Eu, seguro da minha posição (ou achando que estava), achava graça. Uma vez, ouvi ela ao telefone:
— Conhece o “nunca”? Amigo do “jamais”? Então… é só com eles mesmo.

Eu ria. Achava graça… até o dia em que a teoria virou prática.

Fomos comer em um restaurante que por coincidência, era da tia do sujeito. E quem estava lá?

Exatamente.

Sentamos e, do nada, o cidadão aparece e se ajoelha ao lado dela com o modo charme turbo ativado.

Enquanto era pelo telefone, era engraçado. Ao vivo? O contrário. Mas antes que ele pudesse continuar, ela se antecipou:

— Olha… esse aqui é o Geison. Meu namorado.

O cara travou, olhou pra mim, mudou a expressão, me cumprimentou e saiu. Seguimos a refeição como se nada tivesse acontecido, sem tocar no assunto, até a saída. Na porta do carro, eu perguntei:

— Então… agora eu sou seu namorado?

Ela, meio sem graça:

— Não… foi só pra evitar constrangimento…

Interrompi.

— Não, não… quer saber? Agora sou. Sou seu namorado.

E foi assim. Sem planejamento. Sem cerimônia. Sem alinhamento prévio que o compromisso começou. E o que vem pela frente?

Bom… é um passo ainda maior. Mais arriscado. Mais decisivo… do que abrir uma copiadora do zero. Quer saber qual?

Fique Ligado! Segunda-feira que vem, 08 de junho que eu te conto.

Vou apertar o passo da saga, porque uma grande surpresa está chegando por aí!

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook