Com a circulação do vírus da febre amarela em cidades próximas a Curitiba, a Secretaria Municipal da Saúde convoca a população a se vacinar e se proteger da doença, transmitida pela picada dos mosquitos Haemagogus e o Sabethes, encontrados em áreas silvestres e de mata.

Tem dúvidas sobre a vacina? A seguir, uma série de perguntas e respostas para esclarecer sobre a vacinação e a doença


SOBRE A VACINA
1 – Quem deve se vacinar contra a febre amarela em Curitiba? 
Todos os indivíduos de 9 meses a 59 anos de idade e que nunca foram vacinados contra a febre amarela. A vacina é ainda mais importante para quem mora em áreas rurais ou de matas e rios, trabalha com pesca e agricultura ou planeja deslocamentos para áreas com casos confirmados da doença.

 2 – Onde a vacina está disponível? 
A vacina contra a febre amarela é ofertada gratuitamente em 110 postos de saúde de Curitiba. Confira os horários de atendimento das unidades aqui
Em fevereiro e março, algumas unidades irão abrir aos sábados pela manhã para realizar a vacinação. Veja o cronograma aqui.

3 – Em quanto tempo a vacina começa a proteger?
A vacina leva dez dias para fazer efeito no organismo. Em caso de viagens para locais com a confirmação de que o vírus esteja circulando, é preciso que a vacina seja tomada pelo menos dez dias antes do deslocamento.

4 – Quem já tomou uma dose da vacina contra febre amarela deve fazer reforço? 
Não é necessário. Conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas uma dose da vacina é indicada para a prevenção.

5 – Quem precisa de prescrição médica para tomar a vacina? 
Gestantes, mulheres que amamentam bebês menores de seis meses de idade e pessoas a partir de 60 anos de idade. Nesses casos, o médico avalia o risco-benefício da vacinação e, caso indique a imunização, vai prescrevê-la. 

6 – Há contraindicações? 
A vacina contra a febre amarela é contraindicada para pessoas com sistema imunológico enfraquecido, com histórico de reação alérgica grave ou doença febril aguda.

7 – Quem não lembra se já tomou a vacina contra a febre amarela ou perdeu o cartão de vacinação, pode se vacinar? 
Sim, mas antes a Unidade de Saúde verifica no registro eletrônico se a pessoa já se vacinou. Em caso positivo, não é necessário tomar nova dose.

Em Curitiba, outra forma de verificar o registro é baixar o Aplicativo Saúde Já – disponível para smartphones e tablets com os sistemas operacionais Android e iOS -, fazer um pré-cadastro e consultar a carteira vacinal pelo aplicativo.

8 – A vacina pode provocar alguma reação adversa? 
Qualquer vacina pode provocar reações adversas leves, moderadas ou graves. Pode causar dor de cabeça, febre e mal estar em algumas pessoas.

9 – Grávidas e mães que amamentam devem tomar a vacina? 
Em Curitiba, que segue livre da circulação do vírus, a vacinação para grávidas e mães que estão amamentando é feita somente com a prescrição médica, pois a vacina é feita com o vírus enfraquecido e pode causar reações no bebê.
Nos casos em que os médicos considerarem o risco de contaminação relevante – quando a mãe, por exemplo, vai se deslocar para regiões em que o vírus está em circulação – eles poderão recomendar a vacinação.
Nesses casos, a recomendação para as lactantes é que parem de amamentar por pelo menos dez dias após a vacinação e, para tanto, se preparem com a ordenha antecipada do leite materno.

SOBRE A FEBRE AMARELA
1 – O que é a febre amarela? 
É uma doença infecciosa causada por vírus, que se manifesta por febre, dor no corpo, amarelão, fraqueza e com alto risco de morte nas suas formas graves. É uma doença sazonal, geralmente com aumento de casos entre dezembro a maio.

2 – Como a doença é transmitida? 
No ciclo silvestre da febre amarela (cujos casos têm sido registrados recentemente no país), a transmissão é feita pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, sendo os macacos os principais hospedeiros e amplificadores. O homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. 
Ao picar um macaco ou uma pessoa doente por febre amarela, o mosquito adquire o vírus. Depois de alguns dias, quando picar outros macacos ou humanos, transmitirá a doença.
No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir do mosquito Aedes aegypti infectado. Desde 1942 não há notificação no país da febre amarela urbana.
Não há transmissão de pessoa a pessoa. A incubação varia de 3 a 6 dias, embora se considere que possa se estender até 15 dias.

3 – Quais as áreas de risco para a transmissão? 
Áreas onde já há casos confirmados da doença, mortes de macacos por febre amarela e detecção do mosquito. As áreas consideradas de maior risco são os locais de matas, florestas, rios, cachoeiras, parques e o meio rural.

4 – Qual o papel dos macacos na transmissão da febre amarela? 
Os macacos NÃO TRANSMITEM a febre amarela. Adoecem e morrem da mesma forma que os humanos. Por isso, a morte de macacos é um sinalizador da presença do vírus na região. 

SINTOMAS E TRATAMENTO
1 – Quanto tempo leva da picada até o início dos sintomas? 
Geralmente de três a seis dias após a picada, podendo levar até 15 dias. 

2 – Quais os sintomas da febre amarela? 
Os sintomas iniciais incluem febre súbita, calafrios, dor de cabeça, dor nas costas, dor no corpo, náuseas, vômitos e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após os sintomas iniciais. 
No entanto, cerca de 15% dos casos apresenta um breve período de melhora e, então, desenvolvem uma nova fase mais grave da doença. 
Nesses casos, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. De 20 a 50% das pessoas que desenvolvem a forma grave da doença morrem. 

3 – Os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças? 
Sim. Os sintomas da febre amarela podem ser confundidos com outras infecções agudas febris. 
O diagnóstico da forma leve e da forma moderada é difícil, pois os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças infecciosas do sistema respiratório, digestivo ou urinário. 
Formas graves com quadro clínico clássico ou fulminante devem ser diferenciadas de malária, leptospirose, febre maculosa, dengue e outras doenças transmitidas por insetos, e também dos casos fulminantes de hepatite.

4 – Como é feito o diagnóstico? 
É feito por exame laboratorial dos casos suspeitos. 

5 – O que fazer em caso de sintomas de febre amarela? 
Deve-se procurar um médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre qualquer viagem ou atividade em área de risco até 15 dias antes do início dos sintomas. 
A observação da morte de macacos, assim como picadas de mosquitos em áreas de risco, deve ser informada ao médico e enfermeiros, assim como o histórico de vacinação contra a febre amarela ou dengue.

6 – Como é feito o tratamento? 
Não há tratamento específico para a doença. Serão tratados os sintomas, como febre, dores no corpo e cabeça, com analgésicos e antitérmicos, e oferecido suporte. O paciente deve ser acompanhado de perto e o médico deve estar alerta para qualquer sinal de piora do quadro clínico. 

PREVENÇÃO
1 – Como se prevenir contra a febre amarela?
A forma mais segura é a vacinação. Também é importante combater o vetor (mosquito) que transmite o vírus da doença e evitar áreas de mata com registros da doença. O uso de repelentes, de roupas de compridas e de mosquiteiros para quem for para áreas de risco é um reforço da proteção.