O câncer de próstata provocou aproximadamente 18,5 mil mortes no Brasil em 2025, o equivalente a 50 óbitos por dia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O número reforça a importância da conscientização sobre a saúde masculina durante o Novembro Azul. Segundo a SBU, as chances de cura podem chegar a 90% quando o câncer é identificado precocemente.
Um dos desafios para o diagnóstico é que a doença pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, a orientação é não esperar o aparecimento de manifestações clínicas para conversar com um médico sobre a saúde da próstata. Quando presentes, os sinais costumam surgir em fases mais avançadas. Entre eles estão dificuldade para urinar, diminuição ou interrupção do jato urinário, aumento da frequência de micção, presença de sangue na urina ou no sêmen e dores ósseas.
Essas manifestações, porém, não indicam necessariamente a presença de câncer, mas precisam ser investigadas por um profissional de saúde. As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam 77.920 novos casos por ano no triênio 2026–2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o segundo tipo mais frequente entre os brasileiros.
Para Raul Canal, advogado especializado em direito médico e presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), o desafio é transformar a conscientização em um hábito permanente de cuidado com a saúde masculina.
“O fato de a doença poder evoluir silenciosamente torna a informação ainda mais importante. Muitos homens só procuram atendimento quando percebem algum sintoma, o que pode atrasar a identificação de problemas de saúde. É necessário incentivar o acompanhamento médico e mostrar que o cuidado com a saúde deve fazer parte da rotina”
Canal também destaca a importância de campanhas educativas que orientem a população sem estimular a realização indiscriminada de exames.
“A conscientização precisa caminhar junto com a informação de qualidade. Isso não significa que todos os homens devam realizar os mesmos exames ou seguir uma única recomendação. A avaliação deve considerar fatores individuais, como idade, histórico familiar e condições de saúde. Cabe ao médico esclarecer os possíveis benefícios e riscos de cada investigação, para que o paciente tome uma decisão consciente”
Ações educativas no Congresso
A ampliação das ações educativas sobre a doença também está em discussão no Congresso Nacional. O Projeto de Lei n.º 87/2025, de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), propõe alterar a Lei n.º 10.289/2001, que institui o Programa Nacional de Controle do Câncer de Próstata, para prever a divulgação de informações em locais de grande circulação masculina, como estádios, academias, ginásios e bares. A iniciativa busca estender as campanhas informativas para além do mês de novembro, tornando a conscientização uma ação permanente.
A proposta recebeu parecer favorável na Comissão de Educação e Cultura em março de 2026 e, em junho, obteve voto favorável do relator na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde aguarda inclusão na pauta para votação. Para Canal, levar essas iniciativas a diferentes espaços pode ajudar a reduzir barreiras culturais e aproximar os homens dos serviços de saúde.
“A informação precisa chegar à população em diferentes ambientes, não apenas nos serviços de saúde ou durante campanhas específicas. Quanto maior a circulação de orientações confiáveis, maiores as chances de incentivar a procura por avaliação profissional”
Anadem
Criada em 1998, a Anadem atua na defesa dos profissionais da saúde e promove o debate sobre temas relacionados ao exercício da medicina e da odontologia. A entidade realiza análises técnicas e propõe soluções em áreas de interesse da categoria, com destaque para o campo jurídico.
Texto via assessoria de imprensa