Economista de Plano Real acusa BC de causar rombo fiscal via juros

Lara Resende diz que juros do BC abrem rombo fiscal

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O economista André Lara Resende, que integrou a equipe responsável pela elaboração do Plano Real, afirmou que o Banco Central (BC) provoca desequilíbrio fiscal no Brasil ao sustentar taxas de juros elevadas. O posicionamento está em um artigo que, segundo o texto, ganhou destaque nos últimos dias e defende novas regras para despesas e juros no país.

Publicado em 2 de novembro de 2026, em Brasília, o texto critica a justificativa para a Selic em 13,75% ao ano e questiona a visão de que o aumento da dívida pública estaria ligado principalmente aos gastos primários. “Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater.”

Dívida pública e peso dos juros no orçamento

Apesar de reconhecer que o Brasil “gasta mal” e aloca recursos de forma “irracional” — citando emendas parlamentares, vantagens salariais do Judiciário e isenções tributárias “de toda ordem” —, Lara Resende sustenta que o déficit fiscal brasileiro é pequeno, “entre os menores do mundo”, quando se exclui o serviço da dívida.

“Quando se exclui o serviço da dívida, as contas estão praticamente equilibradas. A grande despesa do Estado é com os juros sobre a dívida”, escreveu. No período de 12 meses citado no texto, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento, o equivalente a 8,9% do PIB.

A reportagem também aponta que a dívida pública brasileira cresceu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026. Segundo o texto, analistas do mercado financeiro têm cobrado corte de despesas da União para enfrentar esse aumento, medida que tende a afetar políticas sociais.

Para o economista, o problema não está nos “gastos primários”. Ele afirma que, nos últimos anos, exceto durante a Covid, o resultado primário foi apenas ligeiramente negativo, enquanto o déficit nominal, impulsionado pelos juros, foi sempre alto e se aproxima de 10% do PIB.

Disputa sobre juros, inflação e política monetária

O Banco Central sustenta que a taxa de juros atual é necessária para manter a inflação sob controle, ao inibir crescimento econômico e demanda e, assim, forçar a queda dos preços. Nos comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC aponta como fatores de pressão inflacionária o aquecimento da economia e do mercado de trabalho e a trajetória dos gastos públicos.

A última ata citada diz que “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros”.

No artigo, Lara Resende questiona a tese de que o BC não teria alternativa para controlar a inflação além dos juros altos e afirma que não haveria mais a relação inversa entre desemprego e inflação usada para justificar esse tipo de política. Ele reconhece, por outro lado, que a redução dos juros eleva a inflação, mas sustenta que se trata de efeito de curto prazo e transitório.

Proposta de novo regime fiscal e monetário

Como saída, Lara Resende conclui que reduzir a taxa de juros seria a solução para o desequilíbrio fiscal. Ele defende que não há corte de gastos capaz de interromper o crescimento da dívida em relação ao PIB sem reduzir os juros para “em torno da taxa de crescimento nominal da economia”.

O economista propõe um novo regime fiscal e monetário com metas de resultado fiscal e de juros para um horizonte mais longo, de quatro a cinco anos, anunciadas de forma conjunta. “As metas de inflação seriam anunciadas em conjunto com metas para a taxa básica de juros”, afirmou, ao descrever a ideia de manter a taxa básica em um intervalo entre a meta de inflação (3%) e a taxa de crescimento nominal potencial.

Ele também defende que a intervenção do BC no câmbio seja usada para evitar depreciações mais intensas do real, citando que o país teria mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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