Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a União Nacional dos Estudantes (UNE) afirma que o movimento estudantil voltou a ocupar as ruas em diversas cidades do país para defender a democracia e a educação pública. Em entrevista, a presidente da entidade, Bianca Borges, disse que a mobilização ocorre por preocupação com os rumos do país e com riscos às instituições democráticas e ao ensino.
Segundo Bianca, “não só uma eleição” estaria em jogo, mas “verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”, citando a possibilidade de ascensão de um governo autoritário e contrário à educação na avaliação da entidade. Ela também defendeu que a organização estudantil se mantenha para além do período eleitoral, com participação coletiva para transformar reivindicações em direitos.
Atos reúnem universitários e secundaristas
De acordo com a presidente da UNE, o protagonismo das manifestações tem sido de universitários, organizados por centros acadêmicos e diretórios centrais, com participação crescente de estudantes secundaristas e grêmios. Ela relatou que, após o resultado do primeiro turno, um ato na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, reuniu mais de mil estudantes em uma assembleia que acabou indo para as ruas.
Bianca também mencionou um ato no centro do Rio de Janeiro em 7 de outubro de 2026, da Candelária à Cinelândia, e uma manifestação em Brasília no dia 13, com maioria de estudantes e adesão de outros setores da sociedade e da classe trabalhadora.
UNE cita histórico de participação política estudantil
Na entrevista, Bianca Borges recuperou a trajetória histórica dos estudantes brasileiros em momentos decisivos da política nacional. Ela citou a luta contra a ditadura militar, as mobilizações por eleições diretas, o impeachment de Fernando Collor e protestos contra o governo de Jair Bolsonaro, além de relacionar o momento atual a referências como a Passeata dos 100 mil, de 1968.
Universidades e assistência estudantil entram no debate
A presidente da UNE apontou desafios enfrentados pelas universidades públicas, como subfinanciamento, necessidade de ampliar a assistência estudantil e garantir condições para que alunos de baixa renda permaneçam nos cursos. Para ela, a defesa da democracia está ligada à valorização da universidade pública e à melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora.
Entre os compromissos defendidos pela entidade, Bianca citou a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto, mais investimentos em universidades públicas e a defesa de avanços como a efetivação de 10% do PIB na educação pública, além de maior fiscalização do ensino superior privado.
TSE nega pedido para barrar publicações de dirigentes
Na última sexta-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou pedido da campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) para barrar publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.
Quem é Bianca Borges, presidente da UNE
Bianca Borges, de 25 anos, estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025–2027. Nascida em Itapevi e criada em Praia Grande, ela iniciou a trajetória no movimento estudantil aos 14 anos na Etec de Praia Grande, onde foi representante de sala e ajudou a fundar um grêmio.
Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde ingressou em 2017, Bianca foi coordenadora-geral do DCE Livre da USP e diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto. Ela presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), atuando contra propostas de privatização e militarização do ensino público estadual, e integrou a Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.