Durigan defende Receita como plataforma de inteligência do Estado

Durigan defende Receita como inteligência do Estado

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Receita Federal deve ser vista como uma ferramenta estratégica e uma “plataforma de inteligência do Estado brasileiro”, e não apenas como um órgão de arrecadação e fiscalização. A avaliação é do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que falou nesta quarta-feira (14), em Brasília, durante a abertura do 4º Congresso de Direito Tributário e Aduaneiro.

Segundo Durigan, o grande volume de informações reunidas pelo Fisco pode orientar políticas públicas, aperfeiçoar mecanismos de controle e aumentar a eficiência da atuação estatal. “Vejo a Receita como plataforma de inteligência do Estado brasileiro, mais do que um mero órgão que tem que coletar tributo”, afirmou.

Quatro frentes para ampliar o papel da Receita

Durigan listou quatro frentes relacionadas à Receita Federal destacadas em seu discurso: atuação como infraestrutura crítica do Estado; uso de dados para subsidiar políticas públicas; modernização da fiscalização por meio da análise de informações agregadas; e incorporação de inteligência artificial.

“A Receita precisa contribuir mais para o desenho de políticas públicas”, acrescentou. Para ele, as informações produzidas pelo órgão podem auxiliar Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos de controle em tomadas de decisão.

Fiscalização com dados agregados e inteligência artificial

O ministro defendeu uma mudança de paradigma, com maior uso de dados para identificar padrões e anomalias. Como exemplo, citou o trabalho conjunto da Receita com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no monitoramento dos efeitos da desoneração de combustíveis.

“A fiscalização que nós estamos pedindo é uma fiscalização que olha para o dado agregado”, disse, ao destacar o potencial da inteligência artificial nesse processo. De acordo com Durigan, com a implementação da reforma tributária, o volume de dados a ser compartilhado entre União, estados e municípios deve ampliar significativamente a capacidade analítica da Receita.

Operação Carbono Oculto e o uso de grandes bases de dados

Entre as possibilidades abertas por esse modelo, o ministro citou a Operação Carbono Oculto, investigação que apura estruturas de lavagem de dinheiro usadas para ocultar os reais controladores de empresas ligadas ao setor de combustíveis, incluindo a aquisição de uma das maiores distribuidoras do país.

Em uma das fases, foram identificadas movimentações de cerca de R$ 11 bilhões por diferentes camadas da estrutura investigada. A investigação também revelou o uso de fintechs e de pelo menos 40 fundos de investimento para ocultação patrimonial e blindagem de recursos, dificultando a identificação dos controladores e da origem do dinheiro.

Método pode tornar o Estado mais eficiente

Mais do que os resultados da operação, Durigan afirmou que o método empregado chama atenção: a análise de grandes bases de dados pode identificar estruturas fora dos padrões comuns do mercado e direcionar investigações com mais eficiência.

O ministro mencionou ainda estruturas associadas à Reag e ao Banco Master como exemplos de casos que chamaram a atenção por apresentarem características atípicas, com base em uma apresentação da equipe da Receita. Para Durigan, a combinação entre análise de dados, integração de informações e inteligência artificial pode ampliar a capacidade do Estado de formular políticas públicas e aperfeiçoar a fiscalização.

“A Receita Federal pode mudar o patamar de funcionamento do Estado brasileiro para um patamar de um Estado eficiente e inteligente”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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