Davi da Silva Aleixo Ignácio e Erán Martínez Ramos, jovens do Senai Paraná, conquistaram no último domingo Medalhas de Excelência na WorldSkills Shanghai 2026, maior competição internacional de profissões técnicas, realizada na China. Mais de 18 mil quilômetros separam Curitiba, onde os dois se prepararam, de Xangai, local em que alcançaram um dos principais reconhecimentos da educação profissional mundial.
Davi recebeu o reconhecimento na ocupação de Construção em Alvenaria, enquanto Erán competiu em Design de Mídias Interativas Digitais. Em áreas diferentes, os dois atingiram o patamar de excelência estabelecido pela WorldSkills para suas respectivas ocupações.
A Medalha de Excelência é concedida aos competidores que alcançam 700 pontos ou mais na avaliação internacional, mas não ficam entre os ganhadores das medalhas de ouro, prata ou bronze. O reconhecimento indica que o trabalho apresentado durante as provas atingiu o padrão mundial de excelência definido pela competição.
A 48ª edição da competição reuniu 1.400 competidores de mais de 70 países e regiões, distribuídos por 64 ocupações. Durante quatro dias de provas, os participantes executaram projetos técnicos sob pressão de tempo e seguindo critérios internacionais de qualidade.
No cenário nacional, Davi e Erán integraram o desempenho da delegação brasileira em Xangai. O Brasil encerrou a competição com oito medalhas (duas de prata e seis de bronze), além de 29 Medalhas de Excelência. Com 71 competidores, entre alunos e ex-alunos do Senai e do Senac, o país participou das 64 ocupações e terminou em segundo lugar na classificação geral por pontos, atrás apenas da China.
Para Curitiba, os resultados colocam dois jovens formados e preparados na cidade diante das mesmas referências utilizadas para avaliar competidores de dezenas de países. E mostram duas faces da educação profissional contemporânea: enquanto Davi trabalhou com técnicas ligadas à construção civil, Erán colocou à prova competências relacionadas ao design, produção digital e comunicação.
Da sala de aula em Curitiba ao padrão mundial
Há cerca de quatro anos, disputar um mundial na China estava longe dos planos de Davi. Sua entrada no Senai começou com um incentivo da mãe, que encontrou uma oportunidade de curso gratuito e sugeriu que o filho buscasse uma formação técnica. A primeira tentativa foi Mecânica. Como não conseguiu a vaga, encontrou outra possibilidade no curso Técnico em Edificações. Durante as aulas, um professor apresentou a WorldSkills aos estudantes e Davi decidiu tentar.
O que começou como uma oportunidade durante o curso se transformou em anos de treinamento, com competições estaduais, nacionais e internacionais e uma rotina em que conhecimento técnico precisou caminhar junto com preparação física e emocional.
Em Xangai, segundo ele, o processo foi colocado à prova no nível mais alto da competição.
A experiência foi fantástica, incrível. Foi uma semana bem tensa, bem puxada. Acho que, para mim, foi a semana mais puxada de treinamento até hoje
Davi comparou o competidor que voltou da China com o jovem que entrou no Senai quatro anos antes.
Há quatro anos eu jamais imaginaria estar na China disputando o Mundial pelo Brasil. Foram com certeza os melhores anos da minha vida. Tudo que eu passei é algo que vai marcar a minha vida para sempre
Para ele, a evolução não ficou restrita à técnica, e o treinamento ajudou a desenvolver disciplina, maturidade e uma compreensão diferente sobre o que significa buscar excelência profissional.
Do ambiente industrial ao design digital
A trajetória de Erán Martínez Ramos seguiu outro caminho dentro da WorldSkills. Antes de representar o Brasil em Design de Mídias Interativas Digitais, o curitibano participou da competição na ocupação de Indústria 4.0, área marcada por programação e tecnologias industriais. A mudança de ocupação o levou para um universo ligado à criação, ao design e à produção de conteúdos digitais.
Em Xangai, além do desafio técnico, Erán destacou a experiência de trabalhar ao lado de jovens de diferentes partes do planeta.
Foi incrível, principalmente pela troca de culturas entre cada um dos países participantes da minha modalidade
Durante a preparação, ele disse ter desenvolvido uma forma mais organizada de trabalhar, buscando executar tarefas em períodos menores sem abrir mão da qualidade, além de aprender a administrar ansiedade e pressão.
Profissionalmente eu consegui muito networking, com certeza, do mundo inteiro. Vou conseguir aplicar todos os conhecimentos que tenho com a WorldSkills
Entre esses conhecimentos, ele citou edição de vídeos e fotografias, marketing, design e desenvolvimento de identidades visuais. Para Erán, são aprendizados que encontram aplicação dentro das empresas, especialmente na maneira como marcas e produtos são apresentados ao mercado.
Conhecimento que volta para Curitiba
As histórias de Davi e Erán, segundo o Senai Paraná, mostram que o impacto da WorldSkills não termina com a cerimônia de premiação. Para chegar ao mundial, os competidores passam por ciclos prolongados de treinamento, avaliações e competições, convivendo com técnicos de ensino, especialistas e outros competidores e entrando em contato com referências utilizadas internacionalmente em suas profissões.
De volta a Curitiba, a experiência acumulada pode ser compartilhada nos ambientes de formação do Senai e incorporada às trajetórias profissionais dos próprios competidores. No caso de Davi, existe o desejo de participar da preparação de uma nova geração.
Paraná também teve outros dois reconhecimentos
Além de Davi e Erán, outros dois representantes do Senai Paraná conquistaram Medalhas de Excelência em Xangai: Kaique William Ventura Camacho, de Campo Mourão, em Tecnologia Optoeletrônica, e Kauan Henrique Martinello Nazario, de Cascavel, em Tecnologia Automotiva.
Com isso, quatro dos cinco representantes paranaenses na delegação brasileira encerraram o mundial com o reconhecimento concedido pela WorldSkills a desempenhos que alcançam seu patamar internacional de excelência.
Texto via assessoria de imprensa