Eleições 2026: confira 6 dicas para ajudar a escolher seus candidatos

Eleições 2026: 6 dicas para escolher candidatos

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Neste ano, a escolha entre tantos candidatos ganhou um complicador: notícias relacionadas ao caso Master e à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) reduziram o debate das propostas.

Para ajudar a tornar o voto mais responsável, especialistas ouvidos indicaram caminhos para o eleitor buscar candidatos mais alinhados aos próprios interesses e visões de mundo, além de evitar armadilhas como os “puxadores de voto” e discursos genéricos. Entre as estratégias apontadas estão saber quem financia as campanhas, quais são as propostas e como elas podem impactar a realidade prática de cada pessoa.

1) Comece por você: interesses e prioridades

Antes de avaliar propostas e currículos, a orientação é olhar para si e para a coletividade. Perguntas como “a qual grupo social e econômico pertenço?”, “com quais ideologias me identifico?” e “quais problemas espero que o Poder Público priorize?” podem guiar a reflexão.

O professor João Feres Júnior ressalta que nem sempre os interesses convergem e que é fundamental o eleitor reconhecer seus interesses políticos e econômicos. Ele também pondera que muitos eleitores não têm clareza sobre prioridades e, na prática, nem sempre têm acesso a informações de qualidade.

2) Entenda o que cada cargo pode (e não pode) fazer

Compreender as atribuições de cada cargo é um passo básico para evitar frustrações e reduzir o risco de falsas promessas, como candidatos ao Legislativo prometendo obras que cabem ao Executivo. A socióloga Débora Messemberg destaca que parte da população tem pouca informação sobre as competências dos legisladores.

Segundo as orientações reunidas, o presidente exerce o Poder Executivo federal e sanciona ou veta leis; governadores administram áreas como segurança pública e rede estadual de ensino, além de sancionar ou vetar leis estaduais; deputados aprovam e modificam leis, fiscalizam o Executivo e participam do orçamento; senadores representam os estados, votam leis federais e sabatinam autoridades, como ministros do STF.

3) Avalie histórico, propostas e apoios

A recomendação é ir além das palavras e analisar currículo, histórico e propostas. Quem financia ou apoia o candidato? Quais partidos compõem a coligação? De que setores vêm os apoios? As propostas atacam a raiz dos problemas ou ficam em discursos genéricos?

Para o professor Francisco Uribam Xavier de Holanda, da UFC, analisar campanha exige tempo e pode ser complexo, especialmente em temas como financiamento. Ainda assim, ele considera a avaliação relevante e sugere verificar o histórico de atuação e votações de quem já ocupa cargo político, para identificar incoerências e promessas vazias.

As propostas de governo, a declaração de bens e a prestação de contas, com a relação de doadores de campanha, podem ser consultadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

4) Observe o alinhamento partidário

No sistema político brasileiro, a atuação não é isolada. A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, da UFPA, afirma que cada partido tem programa e posição política, e que no Legislativo é comum a orientação de bancada influenciar votações.

Por isso, o eleitor deve considerar como a legenda tem votado, quais pautas historicamente apoia, sua consistência ideológica e suas alianças nesta e em outras eleições.

5) Atenção aos “puxadores de voto” no sistema proporcional

O texto relembra o chamado Efeito Tiririca, quando, em 2010, o candidato mais votado ajudou a eleger correligionários. Isso ocorre no sistema proporcional, em que os eleitos dependem do quociente eleitoral e do desempenho do partido ou federação.

O cientista político Rodrigo Stumpf González, da UFRGS, explica que partidos buscam figuras de grande visibilidade para fortalecer a legenda e ajudar a eleger candidatos menos votados. Ele recomenda que o eleitor conheça a nominata do partido e evite votar motivado por uma única pessoa, lembrando também que o número da candidatura identifica o candidato e o partido.

6) No dia da votação: regras e orientações

O 1º turno das eleições deste ano ocorrerá em 4 de outubro. Em todo o Brasil, cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar escolherão deputados federais, estaduais ou distritais; dois senadores por unidade federativa; governadores e o presidente da República.

No dia, é permitido levar um papel com nomes e números dos candidatos para consulta na cabine. O celular deve ficar fora, e é proibido votar com máquina fotográfica, filmadora ou qualquer equipamento que permita registrar o voto. Segundo o TSE, a regra protege o sigilo e o livre exercício do direito ao voto.

O eleitor pode usar broches, adesivos e camisetas em manifestação individual e silenciosa, inclusive com bandeiras políticas. Já a manifestação coletiva ou ruidosa é proibida, assim como abordagem e aliciamento. Também é garantido o direito de se ausentar do trabalho pelo tempo necessário para votar, sem prejuízo no salário. Pessoas com mais de 80 anos têm preferência, e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha no momento do voto.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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