Campanha convoca candidatos a defender o Cerrado nas eleições

Campanha cobra defesa do Cerrado nas eleições 2026

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado para convocar candidatos às eleições deste ano a se engajarem na proteção do Cerrado e dos povos que vivem no bioma. A mobilização foi destacada nesta sexta-feira (11), data do Dia Nacional do Cerrado, com a proposta de reunir assinaturas em uma carta-compromisso voltada a postulantes do Executivo e do Legislativo.

Segundo as entidades envolvidas, o Cerrado abriga as nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias hidrográficas do país. Elas também alertam que mais de 50% da vegetação nativa do bioma foi destruída e que os rios registram redução média de 27% na vazão, reforçando a necessidade de ações de preservação.

Compromisso público e projetos de longo prazo

O documento da campanha busca oficializar quais candidatos se comprometem publicamente com as demandas relacionadas ao Cerrado. Para a coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo, a proteção do bioma deve envolver projetos de longo prazo e a eleição de parlamentares que compreendam sua importância.

A secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, afirma que o debate eleitoral deve priorizar políticas de fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e da sociobiodiversidade, com garantia de território, crédito e acesso a mercados para quem cuida do bioma.

Oito propostas apresentadas pela campanha

A campanha elenca oito propostas para serem incorporadas pelos candidatos: proteger o Cerrado e reconhecer o bioma como patrimônio nacional; proteger as águas como direito fundamental; garantir terra, território e autodeterminação dos povos; combater a grilagem e a violência no campo; enfrentar impactos de grandes empreendimentos e assegurar consulta livre, prévia e informada; promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar; valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar; e garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.

A mobilização é liderada pela Rede Cerrado, que reúne mais de 500 organizações por meio de associadas, e pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que articula mais de 60 entidades. O conjunto inclui povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.

Alerta sobre escolha de representantes

Durante o lançamento online da campanha, o presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Samuel Leite Caetano, alertou para a importância de eleger representantes do Congresso comprometidos com pautas ambientais e direitos dos povos tradicionais. Ele afirmou que os biomas correm riscos a depender de quem seja eleito e defendeu que a proteção do Cerrado é uma pauta de interesse nacional, citando a relevância do bioma para o abastecimento de água e para os grandes rios.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, avaliou que o momento político, marcado por retrocesso de legislações ambientais, reforça a necessidade de uma escolha atenta nas eleições deste ano, com foco em políticos que se preocupem com os biomas e com o clima.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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