Brasileiros retiram R$ 10,5 bilhões da poupança em agosto

Poupança tem saída líquida de R$ 10,5 bi em agosto

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Brasileiros retiraram R$ 10,5 bilhões a mais do que depositaram na caderneta de poupança em agosto, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Banco Central (BC), em Brasília. O movimento derrubou o saldo da aplicação no mês, com mais saques do que depósitos.

Saques superam depósitos e saldo segue acima de R$ 1 trilhão

No mês passado, os depósitos somaram R$ 357,7 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas totalizaram R$ 6,5 bilhões. O saldo da poupança é de pouco mais de R$ 1 trilhão.

Terceiro mês seguido de retirada líquida em 2026

Agosto foi o terceiro mês consecutivo de saques líquidos. Em 2026, apenas em maio houve mais depósitos do que retiradas. Até agosto, a caderneta acumula R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas.

O relatório também aponta que, nos últimos anos, a poupança vem registrando mais saques que depósitos. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões.

Selic em alta e inflação entram no radar do investidor

Entre as razões citadas para os saques está a manutenção da Selic, taxa básica de juros, em patamar elevado, o que estimula a busca por investimentos com melhor desempenho. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a Selic está em 14% ao ano.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, num cenário de queda da inflação, mas a guerra no Oriente Médio, com impacto nos preços de combustíveis e alimentos, dificulta a queda da taxa.

A Selic é o principal instrumento do BC para buscar a meta de 3% do IPCA, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido e fechasse em 0,07%, segundo o IBGE. Com isso, o IPCA acumulou 4,44% em 12 meses, voltando para a margem de tolerância da meta. A inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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