Dólar sobe a R$ 5,19 após tom mais duro de presidente do Fed

Dólar fecha a R$ 5,19 após fala dura do Fed

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O dólar voltou a se aproximar de R$ 5,20 nesta sexta-feira (28), em meio à turbulência causada por um tom mais duro do Banco Central dos Estados Unidos. A moeda encerrou o pregão vendida a R$ 5,196, com alta de 0,62%. No mesmo dia, a bolsa de valores resistiu ao pessimismo externo e registrou a oitava sessão consecutiva de ganhos.

Os mercados reagiram à sinalização mais rígida do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sobre a inflação nos Estados Unidos, elevando as apostas de que o banco central estadunidense poderá aumentar os juros em setembro.

Câmbio acompanha força do dólar no exterior

O dólar comercial operou em alta durante praticamente toda a sessão, acompanhando a valorização da moeda estadunidense no exterior após o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de presidentes de bancos centrais, nos Estados Unidos.

A cotação chegou a cair para R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força ao longo da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. No fim do pregão, desacelerou e fechou a semana a R$ 5,196. Com o resultado, a moeda acumulou alta de 1,06% na semana e queda de 5,34% no ano.

Em seu primeiro discurso em Jackson Hole, Warsh afirmou que o Federal Reserve ainda terá trabalho a fazer caso não haja confiança de que a inflação subjacente esteja retornando de forma clara e suficientemente rápida à meta de 2%.

A sinalização aumentou os rendimentos dos títulos do Tesouro estadunidense e fortaleceu as apostas de uma eventual alta de juros em setembro. O título de dois anos chegou a subir mais de 0,1 ponto percentual, atingindo rendimento de 4,35%. Já o índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,57% no fim da tarde, aos 99,668 pontos.

Caged influencia expectativas para a Selic

No Brasil, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também mexeram com as expectativas para os juros. O país criou 58.568 vagas formais em julho, abaixo da estimativa das instituições financeiras.

O resultado reforçou a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e aumentou as apostas de que o Banco Central poderá reduzir a Taxa Selic em setembro. A expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, com possibilidade de nova redução em novembro. A Selic está atualmente em 14% ao ano, enquanto a taxa básica de juros dos Estados Unidos está na faixa de 3,50% a 3,75%.

Ibovespa sobe pela oitava vez seguida

O Ibovespa, principal índice da B3, também encerrou o pregão em alta, embora tenha perdido força após a divulgação do discurso de Warsh. O indicador chegou a superar os 176 mil pontos no início da sessão, mas fechou aos 175.664,62 pontos, com avanço de 0,30%.

Na semana, o Ibovespa acumulou valorização de 2,71%. Em agosto, porém, ainda registra queda de 1,31%. No acumulado de 2026, a alta chega a 9,02%.

Dados da B3 mostram entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa paulista: até o último dado disponível, o saldo positivo nos quatro pregões anteriores somava R$ 1,3 bilhão. No acumulado de agosto, entretanto, o fluxo estrangeiro ainda está negativo em R$ 18,7 bilhões.

Bolsas de Nova York fecham em baixa

Em Nova York, os principais índices acionários terminaram a sexta-feira em queda, pressionados pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva do Federal Reserve. O Dow Jones recuou 0,02%, aos 53.559,99 pontos; o S&P 500 caiu 0,25%, para 7.711,73 pontos; e o Nasdaq teve baixa de 0,52%, aos 26.402,42 pontos.

A alta dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos reduziu o apetite por ativos de maior risco e contribuiu para a queda das bolsas no país.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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