Analistas veem risco de ação cibernética de EUA e bigtechs em eleições

Analistas alertam para risco cibernético dos EUA nas eleiçõe

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia da informação alertam para o risco de ações cibernéticas dos Estados Unidos (EUA) e de manipulação por meio das bigtechs com o objetivo de influenciar as eleições gerais de outubro deste ano no Brasil. A avaliação foi feita por analistas consultados em Brasília, diante do que classificam como uma escalada de medidas do governo de Donald Trump contra o país.

Memorando prevê parceria com empresas privadas

O pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, Reynaldo Aragon, citou como ponto central um memorando assinado por Trump na última quarta-feira (12), descrito como inédito, que autoriza o uso de bigtechs em operações de “vigilância cibernética” e de “efeitos cibernéticos”.

Segundo o alerta, sob o argumento de combater o crime transnacional cibernético, o normativo prevê parceria da Casa Branca com empresas privadas para ações que envolvem “acesso a tais sistemas de informação sem autorização do proprietário ou operador ou excedendo o acesso autorizado”.

O texto também descreve a chamada Operação de Efeitos Cibernético, que autoriza atividades em redes de telecomunicações, internet e sistemas de informação, entre outros, com possibilidade de “manipulação, interrupção, negação, degradação ou destruição de sistemas de informação, redes, infraestrutura física ou virtual”.

Ações “subterrâneas” e sistema eleitoral

Para Aragon, as ações cibernéticas podem ocorrer de forma oculta, ou “subterrânea”, sem deixar pistas da autoria. Ele defendeu que o Brasil desenvolva a própria infraestrutura digital, argumentando que “todos os sistemas sensíveis do Estado brasileiro estão na mão de sistemas de empresas dos EUA”.

Ainda em julho, o governo brasileiro barrou o visto de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA por suspeitas de que assistentes do secretário Marco Rubio pretendiam questionar o sistema eleitoral do Brasil.

Bigtechs e nova doutrina de segurança dos EUA

O professor de história e especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos avaliou que é possível esperar novas ações dos EUA para interferir nas eleições no Brasil, incluindo tentativas de descredibilizar o sistema eleitoral.

Ele afirmou que, na visão apresentada, bigtechs “são empresas ligadas a Estados, ligadas a governos” e que conseguem influenciar recortes demográficos de maneira direta. Como exemplo de eficácia de atuação via plataformas digitais, citou o caso da imigração em massa a Ceuta, atribuída a notícias falsas difundidas em redes sociais.

Vasconcelos também mencionou a participação de donos de bigtechs na posse de Donald Trump e lembrou que, em junho de 2025, o Exército dos EUA revelou que executivos de empresas como Meta, OpenIA e Palantir foram nomeados tenentes-coronéis do Destacamento 201, criado para abrigar líderes da tecnologia.

Na avaliação do especialista, por trás das ações do governo Trump está uma nova doutrina de segurança dos EUA divulgada no final de 2025, que prevê a “proeminência” do país sobre a América Latina. Ele citou ainda um vídeo publicado pelo Departamento de Estado dos EUA na última terça-feira (11), no qual é dito que a “dominação” norte-americana sobre a região não poderá mais ser questionada.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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