Falar sobre paternidade também é falar sobre longevidade. O Dia dos Pais, celebrado este ano em 9 de agosto, costuma ser marcado por homenagens, mas também oferece uma oportunidade para refletir sobre um aspecto muitas vezes negligenciado pelos homens: os cuidados com a saúde. Afinal, estar presente na vida dos filhos depende também de escolhas feitas muito antes do nascimento deles e que se estendem ao longo de toda a vida.
Embora a prevenção seja uma das principais aliadas da longevidade, os homens continuam sendo o público que menos procura atendimento médico preventivo no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, eles vivem, em média, 7,1 anos a menos que as mulheres, e o risco de morte por doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, é de 40% a 50% maior. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com homens acima de 40 anos mostra que 46% deles só procuram atendimento médico quando sentem algum sintoma.
“É comum que o homem só procure o médico quando o corpo já dá algum sinal, mas o cuidado preventivo de verdade começa bem antes disso. Essa lógica mudou nos últimos anos: os exames de rotina deixaram de ser suficientes e deram lugar a um olhar individualizado, que leva em conta idade, hábitos, história familiar e, em casos específicos, ferramentas da medicina genômica para tornar o acompanhamento mais preciso”, afirma Annelise Wengerkievicz Lopes, médica patologista clínica e diretora médica do Laboratório Santa Luzia.
O check-up que todo pai deveria ter na agenda
Não existe check-up único indicado para todos os homens. A avaliação deve ser individualizada e construída em conjunto com o médico, levando em consideração idade, antecedentes familiares, presença de doenças crônicas e hábitos de vida.
Entre os exames laboratoriais frequentemente solicitados estão hemograma completo, glicemia, perfil lipídico (colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos), avaliação da função renal (ureia e creatinina), e avaliação hepática (AST e ALT). Já do ponto de vista cardiovascular, exames como eletrocardiograma, teste ergométrico, teste cardiopulmonar, MAPA e ecocardiograma, quando indicados em uma avaliação médica, permitem identificar alterações antes mesmo do surgimento dos sintomas.
“Mais do que apontar uma doença no início, o acompanhamento contínuo torna possível observar de perto fatores como colesterol alto, diabetes, obesidade, pressão arterial elevada e desequilíbrios hormonais — fatores de risco que, em geral, se desenvolvem aos poucos e sem sintomas por um longo período”, explica Annelise.
A partir dos 50 anos, ou antes, quando existe histórico familiar, também passa a ser recomendado o rastreamento do câncer de próstata por meio da dosagem do PSA associada ao toque retal, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Urologia. A colonoscopia, por sua vez, é indicada para rastreamento do tumor colorretal a partir dos 45 anos, assim como a pesquisa de sangue oculto nas fezes. A avaliação médica é condição essencial nesse cenário de prevenção.
A importância desse cuidado é reforçada pelos dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que estima cerca de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, mantendo a doença como o tumor mais incidente entre os homens brasileiros.
Antes da paternidade: o que a medicina genômica pode revelar
A jornada da saúde masculina pode começar muito antes do nascimento dos filhos. Em situações específicas, como infertilidade sem causa aparente ou histórico familiar de determinadas doenças, como câncer de próstata, mama, ovário, colorretal ou outras doenças hereditárias a medicina genômica tornou-se uma importante aliada para compreender predisposições hereditárias e orientar decisões clínicas.
“A genética não prevê o futuro nem substitui a avaliação clínica, mas amplia a capacidade de compreender riscos individuais quando existe orientação médica. Embora nem todos os homens tenham indicação para testes genéticos, ao integrar informações sobre histórico familiar, fatores clínicos e testes genéticos, conseguimos oferecer uma medicina mais personalizada, permitindo que o acompanhamento seja direcionado ao perfil de cada paciente e, em muitos casos, antecipando decisões importantes para a prevenção e o diagnóstico precoce”, explica Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco no Rio de Janeiro.
Um exemplo é a investigação da infertilidade masculina. Homens com oligozoospermia grave ou azoospermia podem apresentar alterações genéticas responsáveis pela redução da produção de espermatozoides, como microdeleções em regiões específicas do cromossomo Y. Nesses casos, painéis genéticos específicos ajudam a identificar a causa da infertilidade e contribuem para o aconselhamento reprodutivo.
A medicina genômica também desempenha um papel importante na avaliação do risco hereditário para o câncer de próstata. Homens com histórico familiar da doença podem apresentar variantes genéticas associadas ao aumento da predisposição ao desenvolvimento do tumor. A identificação dessas alterações permite que o médico estruture um acompanhamento mais individualizado, considerando fatores que vão além da idade e dos exames convencionais.
Para pacientes que já receberam o diagnóstico de câncer de próstata, a genômica também contribui para decisões terapêuticas mais precisas. Testes como o Prolaris, que avalia a expressão de genes relacionados à proliferação das células tumorais, ajudam a estimar o comportamento biológico do câncer e fornecem informações adicionais para apoiar, juntamente com a avaliação clínica e os exames de imagem, a definição da estratégia de tratamento mais adequada.
“Cada pessoa possui uma combinação única de fatores genéticos e ambientais. Por isso buscamos evitar tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos em intervenções que poderiam modificar a evolução de uma doença”, completa Gustavo Guida.
Vacinação: proteção que atravessa gerações
Completar essa jornada de prevenção também passa pela vacinação em dia. Embora a imunização seja frequentemente associada à infância, especialistas reforçam que adultos também precisam atualizar regularmente o calendário vacinal para reduzir o risco de doenças infecciosas e proteger as pessoas ao seu redor.
“Manter as vacinas em dia é um cuidado que vai além do indivíduo: quem se vacina contribui para diminuir a circulação de vírus e bactérias no convívio familiar e social, o que reforça a proteção de todos ao redor. Esse ganho coletivo pesa ainda mais em lares com bebês, idosos, gestantes ou pessoas com imunidade baixa, grupos mais expostos a complicações por infecções”, afirma Jaime Kulak, médico do Laboratório Frischmann Aisengart.
Entre os imunizantes recomendados para a população adulta masculina estão a vacina contra influenza, atualizada anualmente para acompanhar as variantes em circulação; a vacina tríplice bacteriana do adulto (difteria, tétano e coqueluche); a vacina contra hepatite B, que reduz o risco de infecções crônicas e da transmissão no ambiente doméstico; e a vacina pneumocócica, indicada para grupos específicos e capaz de prevenir doenças como pneumonia, meningite e septicemia.
A infectologista Rosana Ritchmann, infectologista do laboratório Exame no DF, destaca que o benefício da vacinação vai além da proteção individual.
“Outro ponto de atenção é a vacinação contra o HPV. Apesar dos avanços observados nos últimos anos, a cobertura vacinal entre meninos de 9 a 14 anos alcançou 74,55% em 2025, permanecendo abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde e também inferior à cobertura registrada entre as meninas”, explica.
Desde 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) adota o esquema de dose única para essa vacina e, em 2026, o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro a campanha de resgate vacinal destinada a adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam o imunizante.
Além de prevenir verrugas genitais, a vacina protege contra infecções pelos tipos de HPV associados ao desenvolvimento de cânceres de pênis, ânus, orofaringe e colo do útero. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 80% dos casos de câncer de orofaringe previstos para 2026 deverão ocorrer em homens.
A lista de cuidados inclui ainda a vacina contra febre amarela, recomendada para pessoas que vivem ou viajam para áreas de risco, e a vacina contra herpes-zóster, indicada principalmente para adultos a partir dos 50 anos. Um estudo apresentado em março de 2026 durante o congresso do American College of Cardiology, que acompanhou mais de 550 mil participantes, mostrou que indivíduos vacinados contra herpes-zóster apresentaram uma redução de 46% no risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, no primeiro ano após a imunização.
Para ampliar o acesso à prevenção, a Dasa também oferece vacinação em domicílio, permitindo que pais e famílias atualizem o calendário vacinal com a mesma qualidade, segurança e protocolos adotados nas unidades de atendimento. A modalidade facilita a adesão à imunização, especialmente para pessoas com rotina intensa, mobilidade reduzida ou dificuldade de deslocamento.
Em todas essas etapas, o objetivo é o mesmo: identificar riscos precocemente, ampliar as possibilidades de prevenção e favorecer decisões médicas mais assertivas. O maior presente que um pai pode oferecer aos filhos não está embrulhado. Está na escolha diária de cuidar da própria saúde para viver mais, com autonomia, qualidade de vida e presença ao lado de quem ama.
Texto via assessoria de imprensa