Tarifa de 37,5% dos EUA atinge US$ 6,6 bi em exportações do Brasil

Tarifa dos EUA de 37,5% atinge US$ 6,6 bi do Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos devem atingir US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta sexta-feira (24), em Brasília. De acordo com a pasta, a sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, em medidas apoiadas nas Seções 301 e 232.

Como a tarifa de 37,5% é formada

O Mdic explicou que a alíquota máxima resulta da combinação de uma tarifa adicional de 25%, anunciada anteriormente pelo governo do presidente Donald Trump, com uma nova sobretaxa de 12,5%, divulgada nesta quinta-feira. Quando ambas incidem sobre o mesmo produto, a tarifa total chega a 37,5%.

Entre os itens atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Qual parcela das exportações brasileiras será afetada

Segundo o governo brasileiro, as novas medidas tarifárias alcançam 23,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos. A distribuição informada é a seguinte: 52,7% (US$ 21,3 bilhões) permanecem fora das novas sobretaxas; 24,2% (US$ 9,8 bilhões) continuam com tarifas setoriais já existentes dos EUA (Seção 232); 16,5% (US$ 6,6 bilhões) recebem tarifa acumulada de 37,5%; 4,7% (US$ 1,9 bilhão) são tributados apenas em 12,5%; e 1,9% (US$ 800 milhões) pagam somente a sobretaxa de 25%.

Entre os produtos que seguem sem as novas sobretaxas estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, grande parte da celulose e diversos produtos químicos.

O que são as Seções 301 e 232

Grande parte das novas medidas foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos (Trade Act de 1974), que autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses do país e, se necessário, aplicar retaliações como tarifas adicionais.

No caso brasileiro, os Estados Unidos abriram duas investigações com base na Seção 301: uma específica contra o Brasil, que resultou na sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos, e outra relacionada a políticas de combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. Nesta última, Washington aplicou tarifas de 10% ou 12,5% aos seus 60 principais parceiros comerciais, e o Brasil ficou entre as 41 economias que receberam a alíquota de 12,5%.

Já a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos (Trade Expansion Act de 1962) permite impor restrições a importações quando o governo norte-americano conclui que determinado produto representa risco à segurança nacional. Segundo o Mdic, produtos sujeitos às tarifas da Seção 232 não acumulam as novas sobretaxas impostas pela Seção 301.

Quando as medidas entram em vigor

De acordo com as informações do governo brasileiro, as medidas passaram a vigorar em julho de 2026, com exceção para mercadorias já embarcadas antes da entrada em vigor das novas regras e que chegaram aos Estados Unidos dentro do prazo estabelecido pelo governo norte-americano.

Comércio bilateral perde ritmo em 2026

O endurecimento das tarifas ocorre em meio à desaceleração do comércio entre os dois países. Após o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para os Estados Unidos em 2024, as vendas brasileiras recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuaram em queda ao longo de 2026.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões, retração de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os principais recuos ocorreram em petróleo bruto (-30,4%) e produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%).

Como consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Na comparação anual, a fatia norte-americana passou de 12% em 2024 para 10,8% em 2025. As importações brasileiras de produtos dos Estados Unidos também diminuíram no primeiro semestre, levando a uma retração de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

Cenário de incerteza no acesso ao mercado dos EUA

Na avaliação do Mdic, o aumento das tarifas reforça o ambiente de incerteza no comércio entre Brasil e Estados Unidos, marcado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários por Washington e por mudanças frequentes nas condições de acesso ao mercado norte-americano. Apesar disso, 52,7% das exportações brasileiras permanecem fora das novas sobretaxas específicas impostas com base na Seção 301, sujeitas apenas às tarifas ordinárias de importação dos Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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