Brasil vê avanço com EUA, mas mantém etanol fora da negociação

Brasil avança com EUA, mas mantém etanol fora da negociação

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil identificou uma abertura dos Estados Unidos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional, em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (7), em Brasília, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, após uma nova rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Negociação segue restrita à questão tarifária

Segundo o ministro, a expectativa é realizar ainda nesta semana uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre as tarifas.

Apesar do avanço em alguns temas, Márcio Elias Rosa reiterou que o governo pretende manter as negociações restritas à questão tarifária. Ele afirmou que a orientação do presidente Lula é não ampliar o debate para outros assuntos.

Governo defende etanol fora das tratativas

O ministro voltou a defender que o etanol permaneça fora das negociações comerciais entre os dois países. De acordo com ele, discutir apenas a tarifa do biocombustível ignora a relação entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar e os impactos para a indústria nacional.

Márcio Elias Rosa destacou que o setor é estratégico, principalmente para o Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta barreiras para entrar no mercado americano, com sobretaxa de quase 100%.

Com prazo apertado para um entendimento, o ministro afirmou que o governo concentrará esforços nos pontos em que há possibilidade de avanço.

Entidades do setor reforçam posição do Brasil

Durante a audiência pública promovida pelo USTR, representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil reforçaram a posição defendida pelo governo brasileiro.

As entidades argumentaram que a queda das importações de etanol americano não decorre apenas de tarifas, mas principalmente da expansão da produção nacional de etanol de milho, que reduziu a necessidade de compras externas. Na avaliação do setor, Brasil e Estados Unidos, os dois maiores produtores mundiais de etanol, deveriam priorizar a expansão do mercado internacional de biocombustíveis, em vez de ampliar disputas comerciais bilaterais.

Entenda a Seção 301 e a investigação do USTR

As negociações ocorrem paralelamente à investigação aberta pelo USTR com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O instrumento permite ao governo americano investigar práticas comerciais de outros países consideradas desleais ou prejudiciais às empresas dos EUA e, ao fim do processo, aplicar medidas como sobretaxas sobre produtos importados ou outras restrições.

No caso brasileiro, a investigação questiona políticas relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outros temas. Antes da decisão final, o governo americano realiza uma consulta pública com empresas e entidades interessadas.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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