Balança comercial tem superávit de US$ 9,8 bilhões em junho

Balança comercial tem superávit de US$ 9,8 bi em junho

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Com a ajuda do petróleo, da soja, da carne e do ferro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, resultado 66,6% superior ao do mesmo mês de 2025. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das exportações, que avançaram 24,9% no período, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em Brasília.

Maior corrente de comércio da série para um mês

A corrente de comércio — soma de exportações e importações — alcançou US$ 62,8 bilhões, o maior valor já registrado para um mês na série histórica. Em junho, as exportações somaram US$ 36,3 bilhões e as importações, US$ 26,5 bilhões.

O resultado foi o terceiro melhor para o mês, atrás de junho de 2021 (US$ 10,414 bilhões) e de 2023 (US$ 10,077 bilhões).

Exportações sobem com indústria extrativa e transformação

O aumento das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, seguida pela indústria de transformação e pela agropecuária. A indústria extrativa exportou US$ 9,9 bilhões (+58,4% ante junho de 2025), a indústria de transformação, US$ 18 bilhões (+14,7%), e a agropecuária, US$ 8,1 bilhões (+18%).

Entre os produtos em destaque, a indústria extrativa teve alta nas vendas de petróleo bruto (+78,9%) e minério de ferro (+20%). Na indústria de transformação, cresceram combustíveis (+88,8%), carnes de aves (+62,4%) e carne bovina (+39,2%). Na agropecuária, avançaram soja (+17,3%), animais vivos (+208,8%) e algodão bruto (+64,1%).

Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia sobre as exportações brasileiras, embora já existam relatos de maior interesse de importadores europeus.

Vendas aumentam nos principais mercados

As exportações cresceram para a maior parte dos principais mercados do Brasil, incluindo os Estados Unidos, apesar das tensões comerciais entre os dois países. Por região, as exportações somaram US$ 17,4 bilhões para a Ásia (+29,9%), US$ 6,4 bilhões para a Europa (+43,9%), US$ 4,9 bilhões para a América do Norte (+8,5%) e US$ 3,9 bilhões para a América do Sul (+7%).

As vendas para os Estados Unidos avançaram 3,7% entre maio e junho, em meio a negociações para evitar a aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Importações também crescem em junho

As compras brasileiras no exterior avançaram 14,4% no mês, principalmente de bens de consumo e bens intermediários. As importações de bens intermediários totalizaram US$ 15,1 bilhões (+10,9%), as de bens de consumo, US$ 5,7 bilhões (+34%), as de bens de capital, US$ 3,5 bilhões (+5,7%), e as de combustíveis, US$ 2,2 bilhões (+11,6%).

Saldo do semestre e revisão das projeções de 2026

No acumulado de janeiro a junho, a balança comercial registrou superávit de US$ 42,4 bilhões. No período, as exportações chegaram a US$ 184,8 bilhões (+11,5%) e as importações, a US$ 142,4 bilhões (+5,1%), com alta de 40,3% no saldo comercial.

Diante do desempenho do comércio exterior no primeiro semestre, o Mdic revisou para cima a projeção para 2026: a estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão de exportações subiu de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões, e a de importações, de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Segundo o boletim Focus, analistas de mercado projetam superávit comercial de US$ 76,2 bilhões para este ano.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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