Em um dia de nervosismo no mercado financeiro, o dólar avançou e voltou a atingir o maior valor em quase três meses nesta quarta-feira (24), em Brasília. A moeda norte-americana ganhou força em meio à expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e à forte queda do petróleo, o que reduziu o apetite por ativos ligados a commodities.
O dólar comercial fechou o dia em alta de 0,28%, cotado a R$ 5,202, após atingir máxima de R$ 5,22 durante a manhã. Foi o segundo pregão consecutivo de valorização e o maior nível de fechamento desde 30 de março.
Juros nos EUA e indicador de inflação no radar
O movimento ocorreu com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) possa adotar uma postura mais restritiva diante de sinais de pressão inflacionária na economia norte-americana. O mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, operava perto dos maiores níveis em mais de um ano, acumulando alta de cerca de 3% no ano.
No Brasil, analistas avaliam que a diferença entre as perspectivas de juros dos Estados Unidos e do Brasil reduziu a atratividade do carry trade, estratégia baseada em ganhos com a diferença entre os juros mais altos no mercado brasileiro e as taxas estadunidenses, mais baixas.
Ibovespa recua com pressão de commodities
Na bolsa, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia aos 170.506 pontos, com queda de 0,44%, após três sessões consecutivas de alta. O índice chegou a subir pela manhã, mas perdeu força com a pressão das ações ligadas a commodities.
A baixa ocorreu em meio à queda dos preços do petróleo e à valorização do dólar, que pressionou metais básicos. Bancos também contribuíram para o recuo do índice. Na contramão, ações mais ligadas ao consumo interno tiveram ganhos, favorecidas pelo recuo das taxas de juros futuros.
Petróleo cai pelo terceiro pregão seguido
O petróleo recuou pelo terceiro pregão consecutivo e fechou no menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, com o mercado reagindo à perspectiva de aumento da oferta global. O contrato do Brent para setembro caiu 3,81%, a US$ 73,87 por barril. Já o WTI, do Texas, para agosto, recuou 3,92%, para US$ 70,34, chegando a operar abaixo de US$ 70 durante o dia.
A queda ocorreu após sinais de normalização do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e medidas envolvendo possíveis flexibilizações de restrições ao petróleo iraniano. Investidores também acompanharam sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e a retomada gradual do fluxo de navios na região, fatores que reduziram o prêmio de risco sobre o petróleo e afetaram empresas ligadas à energia.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.