No G7, Lula cobra empenho dos países ricos diante de desigualdades

No G7, Lula pede ação dos ricos contra desigualdade

Foto: – 16/06/2026 – Reunião do Grupo de Trabalho da Câmara sobre Crimes Praticados em Razão de Misoginia. Foto Lula Marques/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, nesta terça-feira (16), mais empenho dos países ricos para a redução das desigualdades no mundo. Convidado para a Cúpula do G7, ele discursou em Évian, na França, diante das principais economias e afirmou que a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado.

Segundo Lula, “os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, e a distância entre “a prosperidade de Évian” e a realidade do Sul Global “não está diminuindo”. Para o presidente, a tarefa é “corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”.

Críticas a guerras e ao desvio da agenda de desenvolvimento

No discurso, Lula afirmou que, no ano passado, alertou para a perda de cerca de 40% do financiamento do Programa Mundial de Alimentos. Ele também mencionou que a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20% e disse que guerras e conflitos “continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento”.

Ao comentar os gastos militares anuais, o presidente lamentou a soma de quase US$ 3 trilhões e afirmou que “não são cifras abstratas”, pois impactam “diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento”.

Dívida, pobreza e falta de respostas duradouras

Lula disse que os efeitos desse cenário atingem milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, à educação e à saúde. Também destacou que o mundo em desenvolvimento transfere US$ 1,4 trilhão por ano em serviço da dívida, valor que ele apontou ser sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos.

O presidente recordou que, em 2003, participou da Cúpula do então G8 e que, desde então, houve outras nove cúpulas do G8 ou G7. “Em todas nos defrontamos com desafios que afetam milhões de pessoas. Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras”, afirmou.

“Respostas falaciosas” e apelo por vontade política

Lula contextualizou que prosperaram discursos em defesa da desregulamentação de mercados, do Estado mínimo e da austeridade como fins em si mesmos. Na avaliação dele, “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”.

Sem citar o nome de Elon Musk, o presidente afirmou que o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. Ao mencionar a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento, Lula disse que “o desafio não é administrar a escassez”, mas enfrentar um “déficit de implementação e de vontade política”.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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