O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7. O encontro, presidido pela França, ocorre de 15 a 17 de junho e reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta, além da União Europeia (UE) como membro institucional.
A viagem ocorre em um momento de expectativa por possíveis interações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também por desdobramentos na relação com a UE, após a decisão do bloco de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil.
Possível diálogo com Trump em meio a tarifa de 25%
A ida de Lula ao G7 acontece duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. Segundo o texto, o relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre os temas citados para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas dos EUA que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.
Até o momento, não houve confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e Trump. Caso ocorra, seria pouco mais de um mês após o último encontro entre os dois, na Casa Branca, em Washington, no início de maio. Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e a investigação do USTR, o que ainda não aconteceu.
“Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo”, afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista nesta quarta-feira (10).
O texto também aponta que este será o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). O governo brasileiro vinha tentando evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.
UE oficializa veto a carnes e outros produtos do Brasil
Outro foco da viagem é a relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou a decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir de 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos foi confirmada em documento oficial publicado no Diário Oficial de 5 de junho.
Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. “Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação”, disse Philip Fox-Drummond Gough, ao comentar o tom das conversas, caso ocorram.
Encontro confirmado com a premiê do Japão
Enquanto não se confirmam outras reuniões bilaterais, um encontro já certo na agenda é com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Ela tomou posse em outubro de 2025 e fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático.
Segundo o texto, este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há expectativa de abertura de negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).
Além do Brasil, o G7 convidou líderes de outros países, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.
O que Lula deve discutir nas sessões do G7
O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante a cúpula. No dia 16, o presidente discursará em uma sessão sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, com expectativa de cobrar a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD).
No dia 17, em outra sessão, Lula abordará crescimento econômico equilibrado, com ênfase na necessidade de reforma da governança global, especialmente de instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço cujo tema central será Inteligência Artificial (IA).
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.