A pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras caiu para 18,4% em 2025, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012, segundo o boletim Desigualdade nas Metrópoles. O levantamento aponta que, entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nessas áreas, em movimento associado ao aumento da renda do trabalho e à maior oferta de ocupações no país.
Os dados foram divulgados em 12 de junho de 2026 e têm como base informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo é produzido em parceria pelo Observatório das Metrópoles, pela Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Queda da pobreza e papel do mercado de trabalho
Para o economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Observatório das Metrópoles, a redução tem relação direta com a remuneração do trabalho. Segundo ele, a melhora está “muito vinculada com o fato de as pessoas mais pobres terem aumentado o seu nível de renda a partir do rendimento do trabalho”.
Ribeiro também descarta que o avanço esteja ligado a programas sociais de transferência de renda, ao lembrar que os valores pagos pelo Bolsa Família não sofrem alteração desde março de 2023.
Renda domiciliar e extrema pobreza nas metrópoles
O boletim registra que a renda média domiciliar per capita do conjunto das metrópoles alcançou novo recorde em 2025, de R$ 2.766.
No ano passado, havia cerca de 15,2 milhões de pessoas (15.188.817) em situação de pobreza nas regiões metropolitanas, com renda de até R$ 729 por mês (valor da renda domiciliar mensal dividida pelo número de pessoas da família). Dentro desse grupo, 2,6 milhões estavam em extrema pobreza, com renda de até R$ 229 por mês.
A taxa de extrema pobreza caiu para 3,2% no conjunto das metrópoles brasileiras — nível superior apenas ao observado em 2013 e 2014, segundo o estudo.
Desigualdade persiste e renda segue concentrada
Apesar da queda da pobreza, o boletim também aponta persistência das disparidades socioeconômicas. Em 2025, o índice de Gini foi de 0,511 — quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda.
De acordo com a nota de divulgação do estudo, o aumento da desigualdade entre 2024 e 2025 também apareceu na razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres: em 2025, o topo da distribuição recebeu, em média, 16,1 vezes mais do que a base.
Para Ribeiro, a desigualdade histórica se explica por mais de um fator, incluindo o mercado de trabalho e os rendimentos de aplicações financeiras. Ele destaca que os mais ricos tendem a ocupar postos de maior remuneração, associados a maior escolarização, e que, no período analisado, o país conviveu com “taxas de juros muito elevadas”, favorecendo quem tem condições de realizar aplicações financeiras.
Mapa da desigualdade nas regiões metropolitanas
O estudo ressalta que a desigualdade tem distribuição geográfica: metrópoles do Norte e do Nordeste têm proporcionalmente mais pobres do que as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O Distrito Federal, com média de renda mensal de R$ 4.401, registra valor 2,7 vezes maior do que a média da grande São Luís (R$ 1.616), de acordo com o levantamento.
As regiões metropolitanas observadas foram Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá e Goiânia, o Distrito Federal e a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento de Teresina (PI). As 22 regiões analisadas reúnem cerca de 300 cidades, onde vivem quatro de cada dez pessoas no Brasil.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.