Brasília (DF), 11/09/2025 - O ministro Alexandre de Moraes durante sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que realiza o quinto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mandados de prisão e busca são emitidos contra empresário ligado a dados sigilosos de ministros do STF

Ministro Alexandre de Moraes durante sessão no STF – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a expedição de mandados de prisão e busca e apreensão contra o empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, nesta quarta-feira (1º). Conde é investigado por seu envolvimento em um esquema ilegal que extraiu e comercializou dados financeiros sigilosos de ministros da Corte, familiares e outras autoridades.

De acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), Conde teria fornecido listas de CPFs e feito um pagamento em espécie de R$ 4,5 mil para obter os dados sigilosos. As informações foram obtidas de forma ilegal por meio da colaboração de servidores da Receita Federal, terceirizados, despachantes e intermediários vinculados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Até o momento, Marcelo Conde, que reside no Rio de Janeiro, não foi localizado pelos agentes da PF para cumprimento dos mandados. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes ordenou a quebra dos sigilos telemáticos relacionados a celulares e dados armazenados na nuvem pertencentes ao empresário.

A investigação revelou que, além dos ministros do STF e seus familiares, também foram acessados dados de outras autoridades, como o procurador-geral da República Paulo Gonet, membros do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores, dirigentes de agências reguladoras e um ex-governador. Ao todo, o esquema afetou informações fiscais de 1.819 pessoas.

As medidas judiciais adotadas por Alexandre de Moraes contaram com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em nota, o advogado Nélio Machado, representante da defesa de Marcelo Conde, afirmou que ainda não teve acesso à decisão do ministro para análise. Segundo ele, foi solicitado o acesso ao conteúdo da decisão para que possam ser adotadas as providências cabíveis.

Texto original e independente produzido a partir de apuração factual publicada pela Agência Brasil. Imagem: © Marcelo Camargo/Agência Brasil.

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