Sete pessoas foram presas em flagrante no final da tarde desta quinta-feira (20) no momento em que caminhões despejavam dejetos no rio Iguaçu, dentro da estação de tratamento de esgoto da Sanepar. O flagrante aconteceu após a Polícia Federal apontar que a Sanepar seria uma ‘empresa de fachada’ por cobrar dos usuários o tratamento de esgoto e não executar os serviços, além de denunciar que todas as estações de tratamento atuam de forma clandestina no estado. Por conta disso, o Ibama multou a Sanepar em R$ 38 milhões.
Os seis motoristas de caminhões do tipo limpa-fossa e o responsável pela Estação de Tratamento de Esgoto do Belém (ETE), localizado na BR-277, onde os dejetos foram despejados, foram conduzidos para a superintendência da Polícia Federal do Paraná.
O flagrante aconteceu porque, segundo o delegado Rubens Lopes da Silva, da Delegacia de Repressão à Crimes Ambientais no Paraná, ele havia solicitado que uma equipe retornasse à ETE Belém, para fazer a coleta dos últimos materiais que seguiriam para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para análise do material.
“Quando estávamos finalizando a operação no final do dia, eu determinei que uma equipe retornasse à ETE Belém, para fazer a coleta dos últimos materiais que seguiria para campinas. Quando os agentes chegaram lá, encontraram quatro caminhões descarregando dejetos naquela vala, cuja saída é apenas para o rio. Diante dos fatos, todos receberam voz de prisão no local e foram conduzidos para a superintendência da PF. Ratifiquei a voz de prisão apenas do gerente da ETE Belém e os outros foram ouvidos e liberados. Essas pessoas responderam inquérito em liberdade”, conta o delegado Rubens.
O delegado frisa que a população paga o valor de R$38,00 pelo serviço de tratamento do esgoto que já vem incluso na fatura da Sanepar. Além disso, de acordo com o delegado, a PF apreendeu os controles de entrada de veículos na estação de tratamento, no qual consta que 3.100 caminhões estiveram na ETE em um período de 1 ano e meio.
“As pessoas vão, pagam, eles despejam o dejeto na vala e eu não vejo responsabilidade do contratante no tratamento ou não do dejeto. Esse valor vem na fatura mensal da conta de água e a Sanepar teria o compromisso de tratar esses dejetos. Nós apreendemos o controle e de entrada desses veículos e 3.100 entradas de caminhões foram constatadas apenas no último 1 ano e meio”, explica o delegado.
Ainda segundo o delegado Rubens, essa prática ocorre há dez anos, e o caso estava sendo investigado há pelo menos quatro anos.
Fonte: Banda B