A morte do motorista Vilmar Cardoso, 57 anos, no Centro Municipal de Urgências Médicas (CMUM) do bairro Pinheirinho, em Curitiba, no fim da tarde desta quinta-feira (18) causou confusão e denúncias da família de Cardoso. Eles acusam os médicos do local de mal atendimento e deboche. Cardoso era doente renal crônico. A Prefeitura de Curitiba confirmou que abrirá sindicância para apurar o caso.
Segundo a família de Cardoso, além do nome do paciente desaparecer da lista de atendimento, uma médica chegou a diagnosticar que os sintomas apresentados pelo paciente eram ‘frescura, nas palavras da médica. Ainda com as informações da família, Vilmar chegou no CMUM às 10 horas de ontem (18), recebeu atendimento às 14h e faleceu às 17h.
A filha de Cardoso, Gisele Aparecida Luis, fez um relato à Banda B sobre a demora no atendimento. “Estive a unidade de saúde às 10 da manhã com meu pai solicitando atendimento urgente por causa de uma crise forte de diarreia. Ficamos duas horas na avaliação, ele recebeu uma pulseira amarela, de prioritário, e aguardou mais três horas. Eu vi que estava demorando muito e fui perguntei quando seria o atendimento, eles me disseram que meu pai era o próximo e o próximo nunca chegou porque o nome dele no sistema sumiu. Tive que dar o nome dele três vezes para as enfermeiras”, relata.
Ainda, segundo ela, o atendimento ao pai aconteceu quando invadiu um consultório e pediu pela direção do CMUM. Gisele disse que a médica responsável ordenou atendimento imediato ao paciente. “Ele, então, foi medicado e estava recebendo soro, por volta das 17 horas, quando teve uma crise de ataque cardiorespiratório, uma médica foi até o quarto e disse que ele estava de frescura,” contou.
O irmão de Gisele quando recebeu a notícia do falecimento do pai teve uma crise de convulsão. “Nenhum médico foi atendê-lo. Foi um erro atrás do outro”. O irmão de Gisele passa bem. A família informou à Banda B que vai procurar medidas legais para levar o caso à justiça.
Outro lado
O Secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba, Gladimir Nascimento, estava no local tentando administrar a confusão. “A família tem várias reclamações sobre o atendimento. Infelizmente, o paciente faleceu, e o filho passou mal. Revoltados com a situação, várias pessoas interferiram. Ainda tenho que ouvir as pessoas do pronto-atendimento. Mas, nessa confusão, a unidade foi fechada pelo medo de depredação, o que causou ainda mais revolta. Médicos e enfermeiros com medo e pacientes revoltados. Agora o que resta é investigar e dar uma satisfação à família e aumentar ainda mais a capacidade da equipe para que essas situações se tornem cada vez mais raras”, disse.
De acordo com o secretário, as causas serão apuradas pela Secretaria da Saúde. “O atendimento, as versões, porque é preciso apresentar os dois lados, as eventuais falhas, tudo será investigado”, finalizou.
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Fonte: BAnda B / Foto: Juliano Cunha/Banda B