Trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar no semiárido da Bahia receberão cerca de R$ 10 milhões para fortalecer a produção, o beneficiamento e a comercialização de produtos agrícolas. A iniciativa é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Petrobras e vai beneficiar diretamente 720 agricultores familiares vinculados a 27 cooperativas e associações, distribuídas por 26 municípios do estado.
Segundo o BNDES, o projeto será executado pela União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Unicafes Bahia). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (4), e a ação integra o Sertão + Produtivo, voltado ao fomento da agricultura familiar em regiões com grande vulnerabilidade socioeconômica no semiárido brasileiro.
Como o projeto será executado
O prazo de execução é de 36 meses. Os investimentos se concentrarão no apoio direto à produção, com assistência técnica, capacitação, beneficiamento e abertura de canais de comercialização.
Entre os 720 agricultores familiares diretamente beneficiados, 504 são mulheres, 504 são jovens e 45 são quilombolas — grupos que podem se sobrepor.
Ações previstas e foco em agroecologia
As ações têm como objetivo fortalecer os empreendimentos coletivos da agricultura familiar. Estão previstas a implantação de 240 sistemas produtivos agroecológicos, a estruturação ou melhoria de 11 unidades de beneficiamento e a criação de 12 feiras agroecológicas ou orgânicas.
O plano inclui ainda 180 oficinas de capacitação, 7,2 mil visitas e 900 reuniões de assistência técnica e extensão rural (Ater). Os sistemas agroecológicos serão implantados em propriedades de agricultores familiares e devem funcionar como unidades de referência para disseminação de práticas produtivas adaptadas às condições locais.
Também estão previstas a estruturação de 40 quintais produtivos com canteiros econômicos e galinheiros, 40 sistemas de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), 40 quintais associados a tecnologias de armazenamento de água e 120 sistemas agroecológicos para produção de ovos caipiras.
Nas unidades de beneficiamento, o projeto prevê implantação ou melhoria de 11 estruturas: três minicentrais de abastecimento, quatro fábricas de ração e quatro entrepostos de ovos. Além disso, serão estruturadas 12 feiras semanais agroecológicas ou orgânicas para ampliar a venda direta entre produtores e consumidores.
Onde as ações serão desenvolvidas
A previsão é que as ações ocorram nos Territórios de Identidade Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Portal do Sertão, Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano.
Serão beneficiados os municípios de Anagé, Anguera, Barra do Choça, Caculé, Caetité, Candiba, Condeúba, Encruzilhada, Feira de Santana, Iaçu, Ibiassucê, Ipirá, Irará, Jacaraci, Licínio de Almeida, Nova Fátima, Pé de Serra, Pintadas, Poções, Presidente Jânio Quadros, Riachão do Jacuípe, Santa Bárbara, Santanópolis, Várzea da Roça, Guajerú e Planalto.
Entre eles, Pintadas, Guajerú, Jacaraci, Ibiassucê, Presidente Jânio Quadros e Condeúba foram considerados prioritários pelo BNDES para o edital, com base em indicadores relacionados à presença da agricultura familiar, compras públicas e disponibilidade de tecnologias sociais de acesso à água.
Por que o semiárido baiano é estratégico
O semiárido da Bahia reúne 287 municípios em 22 Territórios de Identidade, corresponde a 85,6% do território estadual e concentra 53,1% da população baiana. Na região, a agricultura familiar responde por 78,24% dos estabelecimentos rurais.
De acordo com o BNDES, a expectativa é ampliar a produção e a renda, agregar valor aos produtos, melhorar a gestão dos empreendimentos e fortalecer o acesso a mercados institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além do mercado privado.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.