O debate na TV Globo entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), exibido nesta sexta-feira (24), foi marcado por troca de acusações e pela defesa de propostas. Em Brasília, o atual presidente reagiu de forma indignada após o adversário afirmar que ele “dá com uma mão e tira com nove dedos”.
Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda quando trabalhava como torneiro mecânico, em 1964, aos 17 anos. “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos… Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa”, disse o petista. Em seguida, Flávio Bolsonaro pediu desculpas: “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”.
População em situação de rua e cobrança por desculpas
Depois, Flávio retomou ataques ao governo e cobrou desculpas do presidente à população. “Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas os moradores de rua que dobraram diante do seu governo. E combate a pobreza esse que você faz?”, questionou o senador, que também repudiou Lula por ter se referido a ele como miliciano.
Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, 365,8 mil pessoas estavam em situação de rua em dezembro de 2025. A pesquisa indica aumento de 55% em relação a 2022, e não de 100%, como mencionado por Bolsonaro. Pesquisadores afirmam que o crescimento pode estar relacionado a diferenças de metodologia de contagem, busca ativa e inclusão de pessoas vulneráveis nas políticas sociais, sem que todo esse aumento corresponda a novas pessoas em situação de rua.
Licença-maternidade e Bolsa Família
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre voto contrário à ampliação da licença-maternidade, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio reconheceu o voto e disse que mudou de posição: “Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado… eu sei da importância da mãe estar perto do filho, por até mais de 180 dias se possível.”
Lula criticou a justificativa e afirmou que o candidato não respondeu objetivamente. Também questionou a forma como o adversário se referiu ao Bolsa Família, citando postagens antigas em redes sociais em que Flávio chamou o programa de “bolsa-farelo”. “É a falta de respeito com o povo pobre desse país”, disse Lula. Em resposta, o candidato do PL afirmou que vai manter e ampliar benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.
Endividamento e renegociação de dívidas
Flávio questionou Lula sobre o endividamento das famílias brasileiras e a dívida pública, atribuindo ao governo juros elevados e aumento das dificuldades financeiras. Lula respondeu que o problema está relacionado à política de juros do Banco Central e defendeu o crescimento econômico como caminho para reduzir a dívida.
No debate, Flávio citou uma dívida de R$ 11 trilhões, referência à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) do Brasil. Ele afirmou que, se eleito, pretende usar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas dos bancos e refinanciá-las. Lula respondeu que a iniciativa de renegociar dívidas já havia sido encaminhada por seu governo ao Senado e citou medidas de renegociação e perdão de dívidas, com operação de R$ 15 bilhões envolvendo 4,5 milhões de pessoas.
SUS e críticas à gestão da pandemia
Lula questionou Flávio sobre declarações atribuídas a um integrante da equipe econômica do adversário de que não haveria investimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e criticou a gestão da pandemia durante o governo Bolsonaro. “Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que tem em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes?”, perguntou.
Flávio afirmou que manteria e ampliaria investimentos no SUS, mas criticou a gestão atual, filas de atendimento e o financiamento da saúde. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo, o tesouraço vai ser na burocracia, o tesouraço vai ser nos impostos que você deu, foram mais de 30 que você criou ou aumentou”, disse. Ele também afirmou que as Santas Casas estariam endividadas e defendeu aumentar a tabela de procedimentos do SUS.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.