ONU aponta falta de isenção da Meta em eleição brasileira

ONU questiona isenção da Meta nas eleições de 2026

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Especialistas das Organizações das Nações Unidas (ONU) assinaram uma carta na qual apontam restrições à liberdade de expressão em plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, todas da empresa Meta, durante as eleições brasileiras de 2026. A avaliação cita relatos de observadores internacionais sobre tratamento desigual em conteúdos de campanha e afirma que contas ligadas a um dos candidatos teriam sido prejudicadas.

O texto foi divulgado em 21 de outubro de 2026, em Brasília, e menciona episódios como interrupções temporárias de contas de campanha e engajamento e alcance de publicações políticas de um dos candidatos “severamente menor”. A carta também registra que milhares de contas e perfis de influenciadores, jornalistas e criadores de conteúdo foram suspensos, “quase todos do mesmo lado político”.

Relatos de observadores e episódios citados

Segundo os especialistas, observadores internacionais que participaram das eleições detectaram tratamento desigual das plataformas em relação aos conteúdos das campanhas. Entre os pontos listados estão interrupções temporárias de contas e queda relevante de alcance e engajamento de publicações políticas associadas a um dos candidatos.

A carta também menciona suspensões em massa de contas e perfis, que teriam atingido majoritariamente um mesmo campo político.

NetLab questiona derrubada de perfil e propaganda

Uma carta do NetLab questiona a derrubada de um perfil do candidato Luiz Inácio Lula da Silva sob a alegação de controle contra notícias falsas ligadas a políticas públicas pela Meta, enquanto, segundo o documento, a empresa mantém perfis com publicações com fake news.

O texto também afirma que o laboratório identificou falhas da empresa de tecnologia, que teria permitido “propaganda eleitoral paga no exterior e vendido e veiculado durante o resguardo eleitoral”. O NetLab é um laboratório de pesquisas sobre internet e redes sociais ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ação no TSE cita IA do WhatsApp

Na semana passada, a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após usuários do WhatsApp relatarem que a inteligência artificial do aplicativo se recusava a produzir imagens com a palavra “Lula” e o número “13”, mas gerava conteúdo normalmente com a palavra “Flávio” e o número “22”.

De acordo com os advogados, a Meta teria praticado “seletividade algorítmica” para beneficiar Flávio Bolsonaro, candidato do PL.

O que diz a Meta

Sobre a nota da ONU, a Meta afirmou que as pessoas podem se expressar livremente em seus aplicativos, sem tratamento preferencial a qualquer posicionamento político. A empresa declarou que “incidentes técnicos podem ocorrer” em plataformas de sua escala, mas que isso “não representa direcionamento político”, e acrescentou que cumpre a legislação eleitoral brasileira e atua para corrigir erros quando identificados, “garantindo condições de igualdade”.

Em relação à nota do NetLab, a Meta respondeu que não permite conteúdos que explorem programas públicos para fraudar pessoas e que remove esse tipo de material quando identificado.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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