Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai 9,7 pontos percentuais

Abstenção entre eleitores 70+ cai 9,7 pontos em 2026

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu 9,7 pontos percentuais no primeiro turno das eleições de 2026, segundo levantamento do Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária da sociedade civil. Com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo movimento, o percentual de idosos que não foram votar recuou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.

O tema foi divulgado em 17 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, e ocorre em um contexto no qual o voto é facultativo para eleitores com mais de 70 anos. Eleitores com mais de 80 anos também têm prioridade nas filas das seções eleitorais.

Queda acontece com eleitorado 70+ em expansão

A redução da abstenção entre os 70+ ocorreu em um cenário de aumento do número de pessoas aptas a votar nessa faixa etária: de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões em 2026. Considerando também os eleitores com mais de 60 anos, o grupo soma 36,8 milhões.

Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o maior comparecimento é um avanço e indica que o envelhecimento não significa afastamento da vida política.

Comparecimento varia conforme a idade

Dados detalhados de comparecimento às urnas entre idosos com voto facultativo indicam os seguintes percentuais por faixa etária: 70 a 74 anos (68,77%), 75 a 79 anos (52,23%), 80 a 84 anos (37,12%), 85 a 89 anos (24,30%), 90 a 94 anos (13,46%) e 95 a 99 anos (4,34%).

No eleitorado em geral, a abstenção em 2026 foi de 21,08%, o que significa que 33 milhões de brasileiros aptos deixaram de participar.

Etarismo e barreiras físicas aparecem como fatores

Para entender o não comparecimento entre os 70+, o Movimento Voto 70+ conduziu a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral, segundo a pesquisadora Adriana de Queiroz. O estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixariam de votar ou não tinham certeza se iriam às urnas em 2026: os de “baixa autoestima política”, os que consideram que o resultado da eleição já não terá impacto sobre suas vidas e os que querem votar, mas enfrentam barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar.

O Movimento Voto 70+ pretende ampliar o debate sobre obstáculos ao comparecimento, citando limitações de mobilidade, ausência de redes de apoio e etarismo.

Segundo turno: prova de vida e campanha “Vovó Vota”

No segundo turno, o comparecimento dos 70+ tem um incentivo adicional: o voto pode ser utilizado pelo INSS para a prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais. Em 2026, a medida vale inclusive para quem não votou no primeiro turno.

O movimento também prevê a campanha “Vovó Vota”, que busca aproximar netas e avós durante as eleições e enfrentar barreiras associadas à abstenção feminina, como dificuldades de mobilidade, ausência de redes de apoio e desestímulo familiar. Em 2022, segundo dados reunidos pelo Data8, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, percentual dez pontos superior ao registrado entre homens da mesma faixa etária. A iniciativa inclui um guia digital com orientações para organizar o deslocamento, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras que desejam votar.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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