As propostas econômicas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado, com caminhos distintos para lidar com dívida pública, investimentos e emprego. As diferenças aparecem na condução das contas públicas, na política tributária e nas relações de trabalho.
O tema ganhou destaque em Brasília, com publicação em 16 de outubro de 2026, quando o debate entre os programas apontou um contraste central: quais instrumentos usar para equilibrar as contas e estimular a atividade econômica. Apesar das divergências, as duas campanhas reconhecem a necessidade de enfrentar o crescimento da dívida pública.
Ajuste fiscal: arcabouço atual x nova regra
Lula defende manter o arcabouço fiscal, que estabelece limites para o crescimento das despesas públicas. A estratégia combina controle de gastos, busca por maior arrecadação e crescimento econômico para melhorar os resultados das contas públicas. A política econômica também prevê investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável, com a avaliação de que a expansão da atividade pode elevar a arrecadação e sustentar políticas públicas.
Flávio Bolsonaro propõe criar uma nova regra fiscal vinculada à trajetória da dívida e adotar medidas para reduzir despesas administrativas, incluindo ministérios e cargos comissionados. A campanha também defende simplificação regulatória e redução de tributos. Em agosto, em entrevista à Globo News, a coordenadora da equipe econômica do candidato, Daniella Marques, afirmou que o plano prevê mudanças nas regras fiscais e um ajuste de 1,5% do Produto Interno Bruto — cerca de R$ 190 bilhões, considerando o PIB de 2025. O detalhamento dos cortes e os efeitos sobre os serviços públicos estão entre os pontos que, segundo o texto, exigem esclarecimento.
No último dia 9, Flávio Bolsonaro negou que acabará com programas sociais, como Bolsa Família e Farmácia Popular.
Impostos e investimentos: progressividade x redução tributária
Na área tributária, Lula defende aprofundar a tributação progressiva, com maior contribuição proporcional das rendas mais altas no financiamento do Estado. O governo também pretende dar continuidade a investimentos do Novo PAC e a políticas de incentivo à indústria nacional.
Flávio prioriza a redução de impostos, a diminuição dos custos para empresas e a desburocratização. Entre as propostas para o agronegócio estão melhorias na logística, ampliação da capacidade de armazenamento de safras, seguro rural e estímulo à produção nacional de fertilizantes.
A execução das medidas depende da compatibilidade entre reduções tributárias e metas fiscais. No caso de Flávio, cortes de despesas teriam de compensar, ao menos em parte, eventuais perdas de arrecadação. Na proposta de Lula, os resultados dependeriam do crescimento econômico, da arrecadação e do controle dos gastos.
Trabalho e renda: salário mínimo e custo de contratação
Lula defende valorização real do salário mínimo e redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial. A agenda também prioriza manutenção de direitos trabalhistas e ampliação da proteção social.
Flávio enfatiza redução dos custos de contratação e flexibilização de modalidades específicas de trabalho, incluindo a criação de formas de contratação com menor custo para empregadores em determinados grupos etários. O texto ressalta que os efeitos sobre salários, formalização e custos das empresas dependerão da implementação das medidas.
Programas sociais e a disputa sobre financiamento
Lula pretende manter e aperfeiçoar programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de preservar políticas de combate à fome. A equipe de Flávio também declarou intenção de manter programas sociais, entre eles Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular. A questão central apontada no texto é como financiar essas iniciativas diante das respectivas metas de ajuste fiscal.
Indicadores de governos anteriores no debate
Entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o país enfrentou a pandemia de covid-19 e os efeitos da guerra na Ucrânia, com pressão sobre atividade econômica e preços. O PIB cresceu, em média, cerca de 1,4% ao ano; a gestão adotou medidas emergenciais de auxílio, promoveu privatizações e concessões e encerrou 2022 com dívida bruta em torno de 72% do PIB, com adiamento do pagamento de precatórios.
No terceiro mandato de Lula, entre 2023 e 2025, o PIB cresceu, em média, aproximadamente 2,9% ao ano, considerando dados revisados. O governo ampliou investimentos em infraestrutura, retomou políticas sociais, valorizou o salário mínimo e aprovou a reforma tributária sobre o consumo. O desemprego caiu e atingiu 5,6% em 2025, segundo o IBGE.
Na área fiscal, a dívida pública diminuiu em proporção do PIB ao final do governo Bolsonaro, mas voltou a crescer durante o terceiro mandato de Lula, atingindo 82,9% do PIB em agosto. O texto ressalta que a comparação exige considerar pandemia, cenário internacional, juros e medidas adotadas em cada período, e que os indicadores mostram trajetórias diferentes sem permitir atribuir todos os resultados exclusivamente às decisões de cada presidente.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.