São Paulo, 13 de outubro de 2026 – Quedas estão entre os acidentes que podem ocorrer durante diferentes fases do desenvolvimento infantil e fazem parte de situações comuns da rotina, como brincadeiras, deslocamentos e atividades recreativas. Embora muitas ocorrências não provoquem consequências graves, algumas podem resultar em lesões que exigem avaliação médica.
Informações do Ministério da Saúde, registradas nos sistemas SIASUS e SIHSUS, mostram a dimensão das quedas envolvendo crianças de zero a 11 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, foram registrados 108.110 atendimentos ambulatoriais e 43.900 internações em decorrência desses acidentes no Brasil. Entre janeiro e julho de 2026, foram 68.761 atendimentos ambulatoriais e 24.696 internações.
No Paraná, foram 1.386 atendimentos ambulatoriais e 3.677 internações de crianças de zero a 11 anos em decorrência de quedas em 2025. Nos primeiros sete meses de 2026, o estado contabilizou 641 atendimentos ambulatoriais e 2.107 internações.
Segundo a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), prof.ª doutora Andrea Fraga, a ocorrência de uma lesão após uma queda está relacionada a diferentes circunstâncias do acidente, que precisam ser consideradas na avaliação da criança.
“Uma queda que parece simples pode provocar diferentes tipos de lesão, dependendo da altura, da superfície do impacto, da posição em que a criança caiu e da região do corpo atingida. Por isso, é importante observar não apenas a ocorrência da queda, mas também as circunstâncias do acidente, conhecido como a cinemática do trauma e os sinais apresentados pela criança depois”, explica.
Quedas mudam conforme a fase do desenvolvimento
As circunstâncias das quedas variam de acordo com a idade e com as atividades realizadas pela criança. Nos primeiros anos de vida, a exploração dos ambientes ocorre ao mesmo tempo em que habilidades como equilíbrio, coordenação motora e percepção de risco ainda estão em desenvolvimento.
Entre as crianças menores de cinco anos, as quedas podem ocorrer de diferentes alturas, como do colo, trocador, carrinho, andador, cadeirão, cama, sofá, escadas, janelas e equipamentos de playground. Também podem acontecer da própria altura, em situações como tropeços, desequilíbrios ou pisadas em falso.
A partir dos cinco anos, as situações relacionadas às quedas podem estar mais associadas a brincadeiras, atividades recreativas e práticas esportivas, acompanhando a ampliação da autonomia e da participação da criança em diferentes ambientes.
“Na infância, uma queda não deve ser avaliada apenas pela altura. A superfície onde ocorreu o impacto e a posição em que a criança atingiu o solo também são fatores importantes. Uma queda na areia ou na grama, por exemplo, apresenta características diferentes de uma queda sobre uma superfície rígida, como pedra ou cerâmica. Uma atenção especial tem que ser dada ao trauma crânio encefálico em menores de um ano, pois a cabeça representa nessa idade uma superfície corpórea muito grande e, portanto, os riscos de lesões são maiores”, destaca doutora Andrea.
Adaptação dos ambientes ajuda a prevenir acidentes
A prevenção passa pela identificação de situações de risco de acordo com a idade da criança e pelos cuidados adotados nos ambientes onde ela circula. Dentro de casa, bebês não devem ser deixados sozinhos sobre trocadores, camas ou sofás. Além disso, dispositivos de segurança devem ser utilizados de forma adequada em carrinhos, bebê-conforto e cadeirões.
“Prevenção não significa impedir que a criança explore o ambiente, brinque ou desenvolva sua autonomia. O objetivo é tornar esses espaços mais seguros para cada fase do desenvolvimento. Pequenas adaptações em casa e a supervisão adequada podem reduzir situações de risco”, ressalta a doutora.
Berços e móveis devem permanecer afastados de janelas. Grades, redes e portões de segurança podem ajudar a restringir o acesso a janelas, varandas e escadas. Áreas como lajes e terraços também precisam permanecer inacessíveis enquanto não houver proteção adequada.
A organização dos espaços é outro fator que pode contribuir para reduzir riscos. Manter áreas de circulação livres, utilizar tapetes antiderrapantes quando necessário, bloquear o acesso a locais perigosos e guardar brinquedos após o uso são medidas que ajudam a evitar situações de queda. Em atividades esportivas e recreativas, equipamentos de proteção adequados à modalidade e supervisão também são importantes.
Cuidados continuam após o acidente
Quando uma queda resulta em atendimento de saúde, a avaliação permite verificar possíveis lesões e definir a conduta necessária. A observação da criança depois do acidente também é importante para identificar alterações que possam surgir posteriormente e orientar a continuidade do cuidado.
Para a ONA, a segurança do paciente envolve a identificação de riscos, a organização dos processos de cuidado, a capacitação das equipes e a melhoria contínua da assistência. No atendimento pediátrico, essa abordagem também contempla a orientação de familiares e cuidadores e a adoção de protocolos para avaliação e acompanhamento de crianças vítimas de acidentes.
“Quando falamos em segurança, precisamos pensar em todo o percurso do cuidado. Isso começa antes mesmo de um acidente acontecer, com a identificação dos riscos e a prevenção, e continua no momento do atendimento, com uma avaliação adequada, protocolos bem definidos e acompanhamento da criança quando necessário”, finaliza doutora Andrea.
Texto via assessoria de imprensa