Preço do limão está acima da média, mesmo na entressafra

Preço do limão sobe e fica acima da média na entressafra

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mesmo em período de entressafra, o limão está caro para o consumidor além da média, segundo dados citados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O cenário foi atribuído à pouca produção e à dificuldade em garantir a colheita, após chuvas que afetaram a florada no começo do ano. A avaliação foi publicada em 3 de outubro de 2026, em São Paulo.

Chuvas e baixa oferta explicam a alta

De acordo com o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o limão tem histórico de grande volatilidade de preços e o momento atual foi marcado por “condição especial de chuvas” que afetou a florada no início do ano. A Conab também aponta que o excesso de chuvas reduziu a oferta no começo da entressafra em relação a anos anteriores, afetando a quantidade e a qualidade comercializável e a formação da próxima safra.

Além disso, a umidade maior e o aumento de dias nublados no começo do ano elevaram a quantidade de frutas mais claras e dificultaram a colheita. Somaram-se ainda a competição entre mercado interno e externo — com cerca de 11% da safra destinada principalmente à Europa — e o aumento da demanda interna com o calor em agosto e setembro.

Preços ao produtor e no atacado dispararam

Levantamento da Conab indica que, no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o preço médio pago ao produtor pelo limão tahiti subiu de R$ 32,10 por caixa de 27,2 kg em junho para R$ 55,60 em julho e R$ 104,78 em agosto. O aumento acumulado no período foi de 226,4%.

Na comparação entre agosto de 2026 e agosto de 2025, o preço da caixa paga ao produtor ficou 71% maior no ano corrente. No atacado, o Ceagesp, na capital paulista, registrou alta de 374%, de R$ 1,82 o quilo no início da entressafra em maio para R$ 8,62 no pico no fim de setembro. Na CeasaMinas (Grande BH), a variação foi de 240%, de R$ 2,50 para R$ 8,50.

Regiões mais afetadas e previsão de normalização

Segundo a Conab, a principal florada do segundo semestre, ocorrida em julho, foi afetada por chuvas acima da média em Matão e Bebedouro e deve gerar volume relevante apenas a partir de meados de novembro. O excesso de chuva também prejudicou o pegamento de frutos de floradas anteriores, reduzindo a quantidade que poderia aliviar a escassez em setembro e outubro.

Bebedouro e Matão foram apontadas como as regiões mais impactadas, concentrando aproximadamente 68% da área de produção de limões e limas do cinturão; 88% dos frutos produzidos são de limão tahiti. Outras áreas citadas foram Limeira, Votuporanga e São José do Rio Preto.

A normalização dos preços é prevista para o fim do ano, com a chegada da nova safra. Na última semana mencionada no levantamento, os preços na Ceagesp começaram a diminuir, mas sem garantia de manutenção da tendência. Para Renato Ribeiro (Cepea/Esalq), o maior impacto ocorreu no volume de produção e a condição climática pode se estender para o próximo ano.

Risco para a próxima safra e papel do El Niño

Especialistas citados no texto apontam risco para a próxima safra, com possibilidade de El Niño forte no começo de 2027 elevando o calor e o déficit hídrico, o que pode estressar as plantas e afetar a florada no fim da primavera e início do verão. Técnicos da Conab consideram que o El Niño teve pouco impacto na produção deste ano e que, embora o fenômeno possa ter contribuído, não foi o fator principal das alterações observadas no mercado.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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