A pele é o maior órgão do corpo, mas costuma receber menos atenção preventiva do que outras partes. O contato diário com a pele pode criar a falsa sensação de que os sinais são simples e passageiros, e que qualquer dificuldade pode ser tratada com dicas encontradas nas redes sociais.
No entanto, sinais como coceira, lesões que descamam e feridas que não saram podem indicar que a pele precisa de cuidados.
Para Lauren Morais, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Paraná, negligenciar os sinais podem atrasar diagnósticos e prejudicar a qualidade de vida do paciente.
“O coração e as glândulas ficam ‘escondidos’ dentro do corpo, então associamos naturalmente sintomas a exames periódicos. A pele, por estar visível, muitas vezes é tratada como algo estético, mas ele também pode adoecer”
Sinais de que a pele precisa ser avaliada
O alerta ganha relevância entre setembro e outubro, que reúne o Dia de Conscientização da Dermatite Atópica (23/09), o Dia Mundial da Urticária (01/10) e o Dia Mundial da Psoríase (29/10).
“Uma mancha nova, coceira intensa, lesões que descamam, vergões que reaparecem ou feridas que não melhoram devem ser avaliadas por um médico dermatologista. A recorrência e o impacto na rotina são motivos para buscar atendimento médico”
Na dermatite atópica (DA), a inflamação e a alteração da barreira da pele podem causar ressecamento, vermelhidão, descamação e coceira intensa. A doença não é contagiosa e pode prejudicar o sono, a concentração e o convívio social. A condição afeta cerca de 15% a 20% das crianças e 3% a 7% dos adultos globalmente. No Brasil, estima-se que a prevalência siga uma tendência semelhante à média mundial, com uma incidência maior em crianças.
A psoríase, doença crônica autoimune e não contagiosa, costuma provocar placas avermelhadas e descamativas, especialmente em joelhos, cotovelos, couro cabeludo, mãos, pés e unhas. No Brasil, estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas convivam com a doença.
Já a urticária se manifesta por vergões avermelhados e elevados, geralmente acompanhados de coceira, que surgem em crises e podem desaparecer em horas. Inchaço de lábios, língua ou garganta e dificuldade para respirar exigem atendimento de emergência. Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia mostram que a doença afeta cerca de 0,5% a 1% da população, o que representa entre 1 e 2 milhões de pessoas.
“Não é só aparência. O desconforto e o medo do julgamento podem levar ao isolamento, comprometer relações, estudos e trabalho e favorecer ansiedade e depressão. Por isso, o sofrimento do paciente precisa ser acolhido junto com os sinais da pele”
Procure ajuda especializada
O caminho mais seguro é procurar um dermatologista assim que os sinais aparecerem — e não apenas quando o quadro já está avançado.
“O dermatologista identifica a doença, avalia sua gravidade, investiga as condições associadas e indica o tratamento adequado. Automedicação e dicas da internet podem mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto”
Texto via assessoria de imprensa