Hoje, medicação imunobiológica pelo SUS no Paraná é restrita a crianças e adolescentes
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia – Regional Paraná (ASBAI-PR) protocolou, no mês passado, um pedido na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA-PR). O documento solicita o fornecimento do imunobiológico dupilumabe a pacientes acima de 18 anos com dermatite atópica moderada a grave atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
A dermatite atópica (DA) é uma condição crônica da pele caracterizada por sintomas como coceira intensa, pele seca e inflamação. O dia 23 de setembro marca o Dia Nacional de Conscientização sobre a Dermatite Atópica (Lei 14.916/2024).
Segundo Paula Bley, médica alergista e presidente da ASBAI-PR, a doença afeta cerca de 15% a 20% das crianças e 3% a 7% dos adultos globalmente.
No Brasil, estima-se que a prevalência siga uma tendência semelhante à média mundial, com maior incidência na infância
Como é o acesso aos medicamentos pelo SUS
Atualmente, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) — documento do Ministério da Saúde que estabelece os critérios para diagnóstico e tratamento no SUS — já contempla opções de terapias avançadas para a forma grave da doença, incluindo o imunobiológico dupilumabe e inibidores de JAK, como o upadacitinibe. No entanto, a cobertura nacional abrange apenas pacientes na faixa etária de 6 meses a 18 anos.
Com isso, pessoas com 18 anos ou mais que apresentam a forma moderada a grave permanecem sem acesso regular a essas medicações no SUS.
Para a presidente da ASBAI-PR, essa limitação faz com que muitos pacientes no estado precisem recorrer a medidas judiciais para conseguir o tratamento.
Embora o PCDT já tenha sido aprovado, na prática a medicação ainda não está efetivamente disponível para a população contemplada. Existe a previsão legal, mas o medicamento não chega à ponta no SUS. Adultos com a forma moderada a grave permanecem sem cobertura regular. Para fechar essa lacuna e garantir o direito à saúde, a ASBAI-PR propõe um protocolo estadual que garanta o acesso regular aos imunobiológicos para pacientes a partir dos 18 anos
Principais sintomas
Resultante de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos, o paciente com dermatite atópica apresenta sintomas que geralmente incluem:
– Coceira intensa
– Pele seca e escamosa, propensa a fissuras
– Inflamação da pele e vermelhidão
– Erupções cutâneas que podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas são mais comuns nas dobras dos cotovelos, joelhos e pescoço.
A presidente da ASBAI-PR lembra que a base do tratamento da dermatite atópica é a hidratação da pele, usando cremes e pomadas que ajudam a reter a umidade, na tentativa de controlar a doença e prevenir as crises.
Tomar banho com água morna e usar sabonetes indicados para o tipo de pele do paciente são também recomendações para quem tem a doença
Acompanhamento psicológico
As alterações na aparência da pele e a coceira persistente podem comprometer a qualidade de vida e provocam mudanças do comportamento, alterações do humor e do sono, isolamento social, que impactam o bem-estar emocional, podendo levar à ansiedade e depressão.
Por isso a importância de ter a certeza do diagnóstico correto feito pelo especialista, levando em consideração a gravidade dos sintomas, a idade do paciente e seu histórico clínico
Mitos e verdades sobre dermatite atópica
1. A dermatite atópica é contagiosa.
Mito. Trata-se de uma doença inflamatória e genética, relacionada a uma alteração na barreira da pele e no sistema imune.
2. A higiene excessiva ou o banho muito quente pioram as crises.
Verdade. Banhos demorados, água muito quente e o uso excessivo de sabonetes agressivos removem a oleosidade natural da pele, ressecando-a e fragilizando ainda mais a barreira cutânea, o que pode ocasionar no aparecimento das lesões.
3. É apenas um problema de pele sem impacto emocional ou na rotina.
Mito. A coceira intensa pode causar distúrbios de sono, fadiga, estresse e ansiedade..
4. Roupas de lã, tecidos sintéticos e ásperos pioram a dermatite atópica.
Verdade. Esse tipo de vestimenta aumenta a coceira na pele.
5. A doença só afeta crianças e desaparece totalmente na fase adulta.
Mito. Embora seja muito comum na infância e muitas crianças apresentem melhora ao crescer, a dermatite atópica pode persistir na vida adulta ou até mesmo surgir pela primeira vez na idade adulta.
Texto via assessoria de imprensa