O programa de governo da candidata à Presidência Samara Martins (Unidade Popular – UP) propõe dobrar o valor do salário mínimo de forma imediata e substituir a escala 6×1 pela jornada 4×3 para todos os trabalhadores do país. As medidas constam do plano registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram publicadas neste domingo (20), em Brasília, como parte da divulgação dos programas de governo dos candidatos nas eleições de 2026.
O que diz o plano “Unidade Popular pelo Socialismo”
Sob o título Unidade Popular pelo Socialismo, o documento apresenta um projeto de transformação estrutural do modelo econômico e político brasileiro. O objetivo declarado é superar as desigualdades do capitalismo e construir uma sociedade socialista.
A UP, partido criado em 2016 e identificado com a esquerda radical, disputa a Presidência com uma chapa formada exclusivamente por mulheres. Samara Martins, de 38 anos, é cirurgiã-dentista e trabalhadora do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte. A vice é Raquel Brício, 34 anos, guarda portuária e dirigente sindical no Pará.
Salário mínimo, jornada e garantia de emprego
No eixo de trabalho e salário, a proposta é elevar o salário mínimo em 100%. O texto detalha que a medida representaria um acréscimo de R$ 1.621, levando o total para R$ 3.242. O plano também defende o fim da escala 6×1 e o estabelecimento da escala 4×3, além da garantia de emprego para todas as pessoas adultas capazes de trabalhar.
O programa afirma ainda que saúde, educação, água, energia, saneamento, moradia, transporte, cultura e comunicação devem ser tratados como direitos, “e não mercadorias”, e menciona redução da jornada com aumento salarial.
Propostas econômicas e de reestatização
Na economia, o documento prevê a suspensão imediata do pagamento da dívida pública e a realização de auditoria cidadã. A UP afirma que os recursos seriam redirecionados para políticas sociais e estima em cerca de R$ 2 trilhões o montante que poderia ser deslocado do serviço da dívida.
O plano também propõe a nacionalização dos bancos e a estatização do sistema financeiro, o fim da autonomia do Banco Central (BC) e a reestatização de empresas privatizadas, citando Eletrobras e Petrobras com controle 100% estatal. O programa inclui ainda a retomada de empresas como a Vale, companhias que controlam ferrovias e empresas de saneamento e telecomunicações, além de defender monopólio público em setores como geração de energia, mineração e combustíveis.
Direitos humanos, segurança e comunicação
Entre as propostas, o texto cita criminalização da misoginia, ampliação da rede de atendimento às mulheres, igualdade salarial com homens, rede pública de cuidados e descriminalização e legalização do aborto. Também menciona ampliação de ações afirmativas, titulação de territórios quilombolas e demarcação e titulação de terras indígenas, além de reforma agrária e “nacionalização da terra”.
Na área de segurança, o programa prevê desmilitarização das polícias e reorganização das carreiras. Para o Judiciário, propõe eleição direta de juízes e tribunais superiores e o fim dos “penduricalhos” que elevam remunerações acima do teto constitucional. Em comunicações, defende “estatização dos monopólios de TV e rádio” e apoio à imprensa comunitária e alternativa.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.