O Banco Central (BC) reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, pela quinta vez seguida. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) foi tomada em 16 de setembro de 2026, em Brasília, e era esperada pelo mercado financeiro.
Cenário externo e cautela com conflitos no Oriente Médio
Em comunicado, o Copom afirmou que o ambiente externo permanece incerto por causa da indefinição sobre conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza quanto à política monetária em algumas economias avançadas. Segundo o BC, o quadro exige cautela de países emergentes, em um ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros em abril, em um cenário de queda da inflação, mas o agravamento da guerra no Oriente Médio e o início do fenômeno climático El Niño dificultam o trabalho do comitê.
Copom desfalcado por expiração de mandatos
O Copom esteve desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o texto, ainda não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.
Inflação, meta contínua e efeito do El Niño
A Selic é o principal instrumento do BC para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o índice ficou negativo em 0,32%, o menor nível em quatro anos, beneficiado pelo bônus de Itaipu nas contas de luz. Em 12 meses, o IPCA recuou para 4,22%, ante 4,44% em julho.
O preço dos alimentos também contribuiu para a queda da inflação em agosto, com recuo de 0,34% no mês. No entanto, o início do El Niño deverá encarecer a comida nos próximos meses, o que representa um desafio adicional para a política monetária.
Pelo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (de 1,5% a 4,5%). Nesse modelo, a meta é apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho, o BC elevou de 3,9% para 5,2% a previsão do IPCA em 2026, mas informou que a estimativa será revista por causa da recente queda da inflação. A próxima edição do documento será divulgada no fim deste mês.
Segundo o boletim Focus, a inflação oficial deve fechar o ano em 4,9%, acima do teto da meta (4,5%). Antes do início da guerra no Oriente Médio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.
Crédito mais barato e impacto na atividade
A redução da Selic tende a impulsionar a economia ao baratear o crédito e estimular produção e consumo, mas também pode dificultar o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central elevou para 2% a previsão de crescimento da economia em 2026. Já o boletim Focus aponta projeção de expansão de 1,89% do PIB em 2026, abaixo da estimativa de 1,98% registrada quatro semanas antes.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação, segundo o texto.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.