Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz pesquisa da USP

Bets tiraram até R$ 141 bi da economia em 2025, diz USP

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), aponta que as apostas conhecidas como bets reduziram o consumo e retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões em 2025, o equivalente a 0,9% a 1,1% do PIB.

O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (15), em São Paulo, e conclui que os efeitos das bets vão além do impacto individual, com consequências macroeconômicas ao deslocar renda das famílias, especialmente as de menor renda.

Impacto no PIB e no consumo

Segundo a pesquisa, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e seria cerca de cinco vezes maior do que estimativas do impacto do “tarifaço americano” sobre o PIB brasileiro.

O estudo destaca que, mesmo considerando empregos diretos e indiretos associados às bets, “o quadro praticamente não muda”.

Perdas de arrecadação e efeito nas contas públicas

O Made estima que a redução na atividade econômica resultaria em perda de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões.

Ao descontar os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas ainda seria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a até R$ 46 bilhões.

De acordo com os pesquisadores, esse valor equivale de 10% a 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública em São Paulo em 2025, indicando que, embora as bets gerem arrecadação direta, a perda de atividade econômica “mais do que compensa” essa receita.

Endividamento e concentração de renda

A pesquisa também considera que parte das apostas tenha contribuído para o aumento do endividamento. O estudo aponta que, se a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por novo crédito — hipótese considerada extrema — isso corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025, em um cenário em que o saldo do crédito para pessoa física subiu cerca de R$ 450 bilhões.

O levantamento indica ainda um possível efeito negativo na distribuição de renda. Considerando que o 1% mais rico fica com cerca de 24% de toda a renda do país, a transferência de dinheiro das famílias para as bets teria aumentado a concentração de renda dessa minoria entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebe os lucros das casas de aposta.

Para os pesquisadores, ao retirar renda das famílias, as bets podem aumentar a desigualdade, reduzir a demanda, afetar o PIB de maneira relevante e diminuir a arrecadação fiscal, com reflexos nas contas públicas.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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