O dólar e a bolsa brasileira encerraram a segunda-feira (14) pressionados pela aversão ao risco nos mercados, em um dia marcado pelo avanço do petróleo, incertezas no cenário político doméstico e tensões geopolíticas. A moeda estadunidense aproximou-se de R$ 5,15, enquanto o Ibovespa caiu quase 1%.
Principais números do mercado
O dólar à vista fechou a R$ 5,149, com alta de 0,49%, acumulando baixa de 6,19% no ano. O Ibovespa terminou aos 185.500,88 pontos, queda de 0,91%. Já o petróleo Brent encerrou a US$ 105,68, com avanço de 1,02%.
Dólar oscila e reduz alta ao longo do dia
Durante a manhã, o dólar chegou a subir mais de 1% e atingiu a máxima de R$ 5,183, pouco antes das 11h. A pressão refletiu a valorização da moeda estadunidense no exterior e a busca por ativos considerados mais seguros diante do avanço do petróleo e das tensões geopolíticas.
À tarde, a cotação perdeu força e chegou à mínima de R$ 5,1414 após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis negociações com o Irã, o que reduziu parte das preocupações com a oferta global de petróleo. No exterior, o índice DXY avançava 0,41% no fim da tarde, aos 99,508 pontos.
Cenário político e expectativa de juros entram no radar
No Brasil, as incertezas políticas influenciaram os negócios, em meio à divulgação de pesquisas eleitorais. O mercado também acompanha a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master. O caso relacionado ao ministro Alexandre de Moraes está previsto para ser analisado pelo plenário do STF nesta terça-feira (15).
No mercado de juros, a expectativa é de redução do diferencial entre as taxas brasileira e estadunidense. O Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) decidirá sobre os juros nos EUA na quarta-feira (17), enquanto o mercado projeta continuidade do ciclo de cortes da Selic.
Ibovespa cai com mineradoras e instabilidade externa
O Ibovespa oscilou entre a mínima de 183.813,36 e a máxima de 187.320,96 pontos, com volume financeiro de R$ 24,4 bilhões. A queda foi pressionada principalmente por ações de mineradoras, em um ambiente de recuo dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China, além do impacto do cenário político brasileiro.
No exterior, as preocupações com os riscos relacionados ao avanço da inteligência artificial também afetaram o sentimento dos mercados. Em Nova York, o S&P 500 encerrou o dia com queda de 0,48%.
Petróleo avança e eleva preocupações com inflação
O petróleo foi um dos principais fatores de pressão sobre os mercados. O Brent para novembro chegou a ser negociado a US$ 109,80 durante a manhã, alta próxima de 5%, após novos ataques contra infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio.
Depois, a cotação perdeu força com a indicação de possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã e notícias sobre uma eventual suspensão de ataques à infraestrutura energética entre Rússia e Ucrânia. Ainda assim, o barril do tipo Brent terminou o dia a US$ 105,68, alta de 1,02%, acumulando ganhos superiores a 15% em setembro e de aproximadamente 75% no ano.
A alta do petróleo aumenta as preocupações sobre inflação e pode influenciar decisões de política monetária das principais economias, mantendo o tema no centro das atenções dos mercados nesta semana.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.