Um levantamento do Observatório Lupa aponta que pelo menos 37 conteúdos foram gerados com inteligência artificial (IA) nas contas oficiais dos candidatos em redes sociais, sem qualquer indicação de manipulação digital. O estudo foi publicado em 10 de setembro de 2026, em Brasília.
O que o estudo encontrou nas redes
Entre 314 conteúdos suspeitos coletados entre 16 e 26 de agosto, em redes sociais e aplicativos de mensagem, foi constatado o uso de IA em 282. A maioria dos materiais identificados era de deepfake, definido como peças artificiais criadas para simular a aparência, a voz ou a identidade de pessoas reais.
Principais alvos e plataformas com mais ocorrências
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi a maior vítima dos conteúdos falsos gerados por IA, aparecendo 115 vezes. Flávio Bolsonaro (PL) foi a segunda maior vítima, com 56 aparições.
O Facebook concentrou o maior número de registros de conteúdo enganoso, com 202 ocorrências, seguido do Instagram, com 62.
Obrigação de informar e regras do TSE
“O que chama atenção nesses 37 casos é que não são conteúdos publicados por contas anônimas. São publicações feitas pelas contas oficiais de candidatos e partidos, que têm a obrigação de informar ao eleitor quando utilizam inteligência artificial”, afirma Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação e fundadora da Agência Lupa.
Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou restrições para uso de IA nas eleições, válidas para modificações com imagem e voz de candidatos ou pessoas públicas. A Corte eleitoral também reafirmou que provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.