Dois pesos e dois pesos.

Foto de Ediney Giordani

Ediney Giordani

Vale.
Não pode.
Pode.
Depende.
Do quê?
Não.
De quem!

Maria era professora.
Gostava de Joana que lhe trazia maçãs.
Não gostava de Antonia que lhe fazia perguntas.
Um dia Maria propôs um trabalho:
Todas as crianças deveriam perguntar a seus pais:

– O que é ser feliz?

Joana lhe trouxe escrito:
– Minha mãe disse que é ter saúde e o que comer.

Antonia lhe trouxe escrito:
– Meu pai disse que é ter trabalho, saúde e o que comer.

Joana tirou 10.
Antonia tirou 08.

Quando indagada,
Se irritou e disse que a resposta de Antonia era simples demais!


Maria era professora.
Gostava de Joana que lhe trazia maçãs.
Não gostava de Antonia que lhe fazia perguntas.

Maria fazia por mal?
Talvez não.
Talvez fosse vaidosa.
Talvez só quisesse ser amada.
Não conhecemos o coração de Maria.

Sabemos que Joana tirou 10 e Antonia 8.

Então, temos a balança.
A balança é importante.
Ela desenha a rota para o futuro e o quadro do passado.

Há a balança justa.
A conveniente.
A viciada.
A nossa.

Principalmente, a nossa.

Muitas vezes somos Maria.
Por tantas outras, Joana.
Também, Antonia.

Escolhemos prediletos.
Queremos a aprovação.
Queremos o 10 e tiramos 8.

Podemos dar 10 e damos 8.

Maria não é vilã.
Ou talvez seja.

Pode ser vilã de Joana ao mimá-la.
Pode ser heroína de Antonia por treiná-la.
Não há ordem.

A consequência não pede autorização à intenção.

Algumas vezes precisamos de maçãs.
Algumas pesam.
Outras medem.
Depende de quem as entrega.
Para algumas têm peso, para outras, medida.

Maçã.

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