Corrida contra o tempo: equipe do Hospital Angelina Caron realiza transplante de fígado em 2h38

Corrida contra o tempo: equipe do Hospital Angelina Caron realiza transplante de fígado em 2h38

Foto: divulgação

Em pleno Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, o Hospital Angelina Caron tem uma história especial para contar. Ela começou com a generosidade de uma família doadora, atravessou diferentes cidades, mobilizou profissionais e instituições e terminou com uma excelente notícia: apenas seis dias depois de receber um novo fígado, o paciente Azuil Gomes Teotonio teve alta hospitalar.

Azuil estava em Foz do Iguaçu quando recebeu a notícia da possibilidade do transplante. O órgão havia sido captado em Maringá e inicialmente destinado a outro receptor, mas o procedimento não pôde ser realizado. Para que o fígado pudesse ser aproveitado, havia uma condição decisiva: o paciente precisava chegar o mais rápido possível ao Hospital Angelina Caron, na Região Metropolitana de Curitiba. Começava, então, uma verdadeira corrida contra o tempo.

O primeiro desafio era vencer a distância. Azuil embarcou em um voo comercial de Foz do Iguaçu até o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. A partir dali uma operação articulada pela rede pública de urgência e emergência permitiu que o deslocamento até o hospital fosse realizado por helicóptero, reduzindo um trajeto terrestre que poderia levar cerca de 40 minutos, dependendo das condições de trânsito.

A mobilização envolveu a Diretoria de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu, a Coordenação de Urgência e Emergência do Paraná, o SAMU Curitiba, a equipe aeromédica e o Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Mas chegar ao hospital era apenas a primeira parte do desafio.

Sete horas com o órgão fora do corpo

Quando a cirurgia começou, o fígado já estava há aproximadamente sete horas fora do organismo do doador. Em um transplante, esse intervalo é determinante, pois os órgãos possuem um período limitado de preservação até serem implantados no receptor. A partir daquele momento, experiência, planejamento e agilidade precisavam caminhar juntos.

A equipe do Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron realizou o procedimento em duas horas e 38 minutos, tempo fundamental para permitir o aproveitamento de um órgão considerado de excelente qualidade.

Para o Dr. João Eduardo Leal Nicoluzzi (CRM-PR 14148), coordenador e chefe do Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron, o resultado foi possível porque diferentes etapas de uma operação de alta complexidade funcionaram de forma integrada.

“Foi uma corrida contra o tempo desde o início. O paciente estava em Foz do Iguaçu, o órgão havia sido captado em Maringá e, quando começamos o procedimento, já acumulava cerca de sete horas fora do corpo. Precisávamos realizar o transplante com muita agilidade e segurança. Conseguimos concluir a cirurgia em duas horas e 38 minutos, graças à experiência da equipe, à estrutura que o hospital mantém para transplantes e a uma mobilização que começou muito antes de o paciente entrar no centro cirúrgico”, explica.

Um trabalho que começa antes da cirurgia

Um transplante envolve muito mais do que as horas dentro do centro cirúrgico. A operação exige equipes preparadas para atuar a qualquer momento, estrutura hospitalar de alta complexidade, integração entre diferentes especialidades, disponibilidade de exames, UTI, acompanhamento pós-operatório e capacidade de responder rapidamente a situações que não podem ser previstas com antecedência.

Neste caso, toda essa estrutura precisou estar pronta para receber um paciente que atravessava o Paraná enquanto o tempo de preservação do órgão continuava correndo.

“Não existe transplante realizado por uma única pessoa. Existe uma equipe inteira trabalhando para que aquele órgão possa chegar ao paciente e para que ele tenha assistência antes, durante e depois da cirurgia. Médicos, enfermagem, anestesia, centro cirúrgico, UTI e diferentes áreas do hospital precisam funcionar de maneira coordenada. Somamos isso ao trabalho extraordinário realizado pela Secretaria de Estado da Saúde e pelas equipes responsáveis pelo transporte. Foi essa união que tornou o transplante possível”, destaca Dr. Nicoluzzi.

O Hospital Angelina Caron mantém seu Serviço de Transplantes desde 2001. Em 25 anos de atuação, a instituição ultrapassou a marca de 3,4 mil transplantes, reunindo experiência em procedimentos de alta complexidade e acompanhamento dos pacientes ao longo de toda a jornada.

Alta em apenas seis dias

Depois de uma operação marcada pela urgência, a evolução do paciente trouxe a melhor notícia. Azuil respondeu bem ao procedimento e, no sexto dia após o transplante, recebeu alta hospitalar. Para Dr. Nicoluzzi, o momento resume o resultado de uma cadeia que envolveu dezenas de profissionais, diferentes cidades e instituições trabalhando pelo mesmo objetivo.

“Quando vemos esse paciente deixando o hospital apenas seis dias depois, conseguimos dimensionar tudo o que aconteceu para que ele chegasse até aqui. Houve uma grande operação para transportá-lo, uma equipe preparada para recebê-lo imediatamente e um transplante que precisou ser realizado com rapidez e precisão. É uma enorme satisfação poder devolver esse paciente à família e saber que todo esse esforço conjunto resultou em uma nova oportunidade de vida”, afirma.

A história de Azuil começou com um órgão captado em Maringá, passou por Foz do Iguaçu, pelo Aeroporto Afonso Pena e por uma operação aérea até chegar ao Hospital Angelina Caron. No centro de toda essa mobilização estava um fator que não podia ser interrompido: o tempo.

E foi justamente a capacidade de diferentes equipes de trabalhar contra ele, cada uma cumprindo sua parte, que permitiu que um órgão doado se transformasse, seis dias depois, em um paciente voltando para casa.

Sobre o Hospital Angelina Caron

Fundado em 1983, o Hospital Angelina Caron (HAC) é uma instituição filantrópica de alta complexidade localizada em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com mais de quatro décadas de atuação, realiza anualmente mais de 400 mil atendimentos a pacientes do SUS, convênios e particulares com atuação em áreas como oncologia, transplantes, cirurgia robótica, pediatria e reabilitação.

O modelo de cuidado é integrado ao ensino e à pesquisa por meio da UniCaron, do Departamento de Ensino e Pesquisa e dos programas de Residência Médica. Com foco em segurança, qualidade e atendimento humanizado, o HAC mantém como propósito promover saúde com excelência e ampliar seu impacto na assistência à população do Paraná e do Brasil.

Texto via assessoria de imprensa

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