Dia Nacional da Educação Infantil: por que os seis primeiros anos de vida são decisivos para o futuro da crian

Dia Nacional da Educação Infantil: por que os seis primeiros anos de vida são decisivos para o futuro da crian

Foto: divulgação

Estudos recentes demonstram que as experiências vividas na primeira infância influenciam o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e a capacidade de resolução de problemas ao longo da vida

Brincar, conversar, ouvir histórias, fazer perguntas, aprender a esperar a vez, lidar com uma frustração, experimentar algo novo e criar vínculos. É no meio dessas situações aparentemente banais que a criança começa a construir habilidades que serão fundamentais para aprender, se relacionar, tomar decisões e lidar com os desafios ao longo da vida.

O dia 25 de agosto marca o Dia Nacional da Educação Infantil. A data chama atenção para uma etapa que vai muito além da preparação para o Ensino Fundamental. De acordo com a legislação brasileira, a Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança.

E porque compreender melhor essa fase é tão importante? Para começar, é importante lembrar que por trás de cada uma das experiências vividas nos primeiros anos de vida existe um cérebro em intensa transformação. Os primeiros anos de vida são marcados por uma atividade cerebral especialmente intensa. Segundo o Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade Harvard (Center on the Developing Child), mais de 1 milhão de novas conexões neurais são formadas a cada segundo nos primeiros anos de vida. E essas conexões não surgem de maneira isolada: são influenciadas pelas experiências, pelas relações e pelo ambiente em que a criança cresce.

Os seis primeiros anos não determinam sozinhos o roteiro da vida de uma pessoa, mas têm um papel importante na construção de seus primeiros capítulos.

A primeira infância é um período especialmente sensível: é quando experiências e relações ajudam a estabelecer bases importantes para a linguagem, a aprendizagem, a autorregulação e a maneira como a criança se relaciona com o mundo

explica a pedagoga Fabiana Falcone, diretora pedagógica da Rede Fadelito.

A arquitetura cerebral é construída continuamente e a plasticidade permanece ao longo da vida. Mas, ao mesmo tempo, já se sabe que as experiências iniciais ajudam a estabelecer bases importantes para a aprendizagem, o comportamento e aspectos da saúde ao longo da vida

acrescenta a especialista.

E não estamos falando apenas de ganhos para cada cidadão mas também para toda a sociedade. Já há alguns anos, estudos mostram que os recursos destinados a essa fase podem retornar em forma de melhores resultados educacionais, maior produtividade e redução de custos sociais. Um dos trabalhos mais conhecidos é o do economista James Heckman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia no ano 2000. Ele demonstrou que para cada um dólar investido em educação infantil, o retorno é este valor multiplicado por sete.

A Unicef aponta que há evidências robustas de que experiências de Educação Infantil de qualidade podem favorecer tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento socioemocional.

Na Educação Infantil, aprender vai muito além dos conteúdos. A criança está aprendendo a se comunicar, a resolver problemas, a fazer escolhas, a lidar com sentimentos, a conviver e a descobrir como o mundo funciona. Tudo isso também é aprendizagem

explica Fabiana Falcone.

Por causa de evidências como essas que promover a saúde e o bem estar de crianças pequenas faz parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Brincar é aprender

E como ajudar no desenvolvimento de nossas crianças nesta fase. O Center on the Developing Child, de Harvard, destaca que atividades lúdicas podem ajudar a desenvolver funções executivas, que são um conjunto de habilidades mentais que ajudam a criança a organizar seus pensamentos e comportamentos para alcançar objetivos.

Essa talvez seja uma das ideias centrais sobre o papel da Educação Infantil

reforça Fabiana.

Brincar não é uma pausa entre momentos de aprendizagem. Para a criança pequena, muitas vezes, é justamente por meio da brincadeira que a aprendizagem acontece

acrescenta.

A especialista conta que, ao brincar de faz de conta, a criança cria situações, utiliza a linguagem, sustenta uma ideia, negocia papéis, ajusta seu comportamento ao do outro e exercita a imaginação. Em uma brincadeira coletiva, aprende-se a esperar, compartilhar, lidar com regras e resolver conflitos.

Quando duas crianças precisam decidir juntas como será uma brincadeira, por exemplo, elas estão praticando comunicação, negociação, flexibilidade e resolução de conflitos.

afirma Fabiana.

Então a Educação Infantil não precisa ensinar letras e números?

Precisa apresentar o mundo da linguagem, da matemática e do conhecimento, mas isso não significa antecipar o modelo do Ensino Fundamental

diz a diretora pedagógica do Fadelito.

Ela conta que uma criança pequena pode aprender sobre números contando objetos, dividindo brinquedos ou ajudando a preparar uma receita. Pode desenvolver linguagem ouvindo histórias, inventando personagens e conversando. Pode perceber os sons das palavras em brincadeiras com rimas.

A aprendizagem está sempre presente na educação infantil. O que muda em relação aos anos seguintes, como no Ensino Fundamental, é a forma como ela acontece

enfatiza.

Não existe oposição entre brincar e aprender. Uma criança pode estar desenvolvendo competências importantes sem estar sentada diante de uma folha de exercícios

afirma Fabiana.

As habilidades socioemocionais começam nas relações

Lidar com frustrações, reconhecer os próprios sentimentos, controlar um impulso, pedir ajuda e se relacionar com outras pessoas são habilidades fundamentais para a vida. Elas fazem parte de um conjunto de capacidades que vai sendo construído ao longo da infância e que ajuda a criança a manter o foco, tomar decisões, lidar com desafios e adaptar seu comportamento às diferentes situações.

Essas capacidades não nascem conosco: a criança chega ao mundo com o potencial para desenvolvê-las e, ao longo da infância, vai fortalecendo cada uma delas por meio das experiências, das interações e das oportunidades de praticá-las no dia a dia.

A criança aprende sobre emoções vivendo situações em que precisa lidar com elas. Ela aprende a compartilhar convivendo, aprende a esperar quando percebe que nem sempre será atendida imediatamente e desenvolve autonomia quando encontra oportunidades para fazer pequenas escolhas

explica Fabiana.

É importante compreender como o processo de aprendizagem acontece para interpretar os comportamentos infantis com mais cuidado.

O papel do adulto é oferecer limites e, ao mesmo tempo, ajudar a criança a desenvolver essas habilidades aos poucos

explica.

E mais: uma boa Educação Infantil não significa uma criança sempre confortável, sem dificuldades ou frustrações. Ela precisa encontrar desafios adequados à idade e adultos que a ajudem a enfrentá-los.

Desenvolvimento não acontece quando fazemos tudo pela criança e nem quando simplesmente deixamos que ela se vire sozinha. Existe um equilíbrio: oferecer segurança para que ela possa tentar e, ao mesmo tempo, permitir que experimente dificuldades compatíveis com sua idade

diz a psicóloga e diretora pedagógica.

Qualidade importa mais do que uma agenda cheia

Falar sobre a importância da primeira infância não significa defender que uma programação repleta de estímulos.

Mais atividades não significam necessariamente mais desenvolvimento

afirma Fabiana Falcone.

Uma criança precisa receber estímulos, de oportunidades para explorar o mundo, mas também necessita de segurança e de descanso.

A qualidade está nas experiências e nas relações

explica a especialista.

Existe uma diferença enorme entre ocupar uma criança e educá-la. Uma rotina pode estar cheia de atividades e, ainda assim, oferecer poucas oportunidades reais de participação. A qualidade está muito mais na intenção pedagógica e na qualidade das interações do que na quantidade de coisas que a criança faz

afirma Fabiana.

O que os pais devem observar na escola de educação infantil?

Se a Educação Infantil é tão importante, como saber se uma escola está realmente oferecendo uma boa experiência? Para Fabiana, os pais deveriam olhar menos para a quantidade de atividades e mais para o que acontece durante elas.

Eu observaria como os adultos conversam com as crianças. Se elas podem fazer perguntas. Se existe espaço para brincar. Como os professores lidam com um conflito. Se a criança tem oportunidades de fazer escolhas. Como a escola acompanha o desenvolvimento individual e como conversa com a família.

Também vale observar se a escola respeita as diferentes etapas do desenvolvimento e se existe uma proposta clara para cada idade. Uma escola para bebês não deve funcionar da mesma maneira que uma escola para crianças de 5 anos: as necessidades são diferentes, os objetivos são diferentes e as formas de aprender também.

Na hora de conhecer uma escola, os pais podem prestar atenção à maneira como a instituição estimula a autonomia, como os professores lidam com conflitos, quanto espaço existe para o brincar e de que forma linguagem e comunicação são trabalhadas no cotidiano. Também é importante entender como o desenvolvimento individual de cada criança é acompanhado, como letras e números são apresentados sem transformar a Educação Infantil em uma antecipação do Ensino Fundamental e de que maneira a família participa desse acompanhamento. Outro ponto fundamental é saber se os profissionais conhecem as diferentes fases do desenvolvimento infantil e conseguem adaptar as experiências às necessidades de cada faixa etária.

Mais do que perguntar apenas “o que meu filho vai aprender?”, vale perguntar “o que meu filho vai viver aqui todos os dias?” Essa resposta pode revelar muito sobre a qualidade da Educação Infantil oferecida.

Escola e família: uma parceria essencial

A qualidade da Educação Infantil também depende da relação construída entre escola e família. Quando responsáveis e educadores trabalham juntos e compartilham informações, objetivos e acompanham conjuntamente o desenvolvimento da criança, ela encontra maior segurança para explorar o ambiente, aprender e desenvolver autonomia.

A escola não substitui a família, e a família não substitui a escola. São instituições complementares que precisam caminhar juntas para oferecer experiências consistentes e acolhedoras para a criança

finaliza.

Os primeiros seis anos de vida passam num piscar de olhos, deixando marcas que acompanham a criança para sempre. Cuidar dessa fase com atenção, seja em casa ou na escola, é uma forma de investir em quem essa criança vai se tornar, com mais segurança para aprender, se relacionar e lidar com o que vier pela frente.

Sobre o Fadelito

Fundado há 27 anos, o Fadelito é uma das principais redes especializadas exclusivamente em Educação Infantil do país. Com 36 unidades em São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores.

Atendendo crianças de 4 meses a 5 anos e 11 meses, o Fadelito possui metodologia socioafetiva própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar, que une acolhimento, cuidado e aprendizagem. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa exclusivo voltado ao desenvolvimento motor e cognitivo dos bebês.

O Fadelito acredita que cuidar da primeira infância é contribuir para a formação de indivíduos mais preparados para a vida e para a construção de uma sociedade melhor. Afinal, é nos primeiros anos que se lançam as bases do desenvolvimento cognitivo, emocional e social — e do futuro que queremos construir.

Texto via assessoria de imprensa

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook