Dólar cai para R$ 5,17 após anúncio de recompra de títulos nos EUA

Dólar fecha a R$ 5,17 e Bolsa sobe com recompra nos EUA

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O dólar fechou em forte queda e encerrou o pregão a R$ 5,177 nesta quarta-feira (19), enquanto o Ibovespa avançou 0,90%, aos 167.830,27 pontos. O movimento ocorreu após anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que pretende ampliar operações de recompra de títulos de longo prazo, o que reduziu a pressão sobre os juros dos Treasuries e aumentou o apetite global por ativos de risco.

A cotação recuou 0,86% no mercado à vista e ficou abaixo de R$ 5,20 pela primeira vez em três sessões. Durante a manhã, por volta das 10h30, chegou a R$ 5,15. Na véspera, o dólar comercial tinha encerrado a R$ 5,22, no maior valor desde 30 de março, quando fechou a R$ 5,24.

Recompra de títulos nos EUA impulsiona mercados

Segundo as informações divulgadas, o Tesouro dos EUA indicou que poderá dobrar o volume de algumas operações de recompra com vencimentos entre 10 e 30 anos. As operações, previstas entre 9 de setembro e 4 de novembro, terão volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação, ante US$ 2 bilhões anteriormente.

O anúncio ajudou a aliviar a pressão no mercado de renda fixa dos Estados Unidos e de outros países desenvolvidos. Com a redução dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, parte dos recursos globais migrou para ativos considerados mais arriscados, incluindo mercados emergentes.

No fim da tarde, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — recuava 0,87%, aos 98,793 pontos.

Câmbio: queda no dia, alta na semana e no mês

Apesar do recuo no pregão, o dólar ainda acumula alta de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto. Em julho, a moeda havia registrado queda de 1,79%.

Ibovespa sobe e interrompe sequência de 11 quedas

O Ibovespa interrompeu uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda, a mais longa desde 2023. Ao longo do dia, o índice chegou a superar os 170 mil pontos e atingiu máxima de 170.340,60 pontos, mas perdeu força na sessão. A mínima foi de 166.334,73 pontos.

A alta foi sustentada principalmente por ações de grande peso no índice, incluindo petroleiras, mineradoras e empresas do setor bancário. Nos 11 pregões anteriores, o Ibovespa havia acumulado perda de 6,55%.

Ata do Fed tem impacto limitado

A ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed) também esteve no radar, mas teve impacto limitado sobre o comportamento do dólar. O documento mostrou preocupação com a inflação: segundo a ata, vários integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) estavam dispostos a elevar os juros, e muitos consideravam necessário um aumento caso a inflação não convergisse para a meta de 2%.

Fatores domésticos seguem no foco

Apesar da recuperação, o mercado acionário brasileiro continua sob influência de fatores domésticos, como o nível elevado dos juros e as expectativas relacionadas ao cenário eleitoral. A saída de capital estrangeiro também permanece no radar: até 17 de agosto, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira estava negativo em R$ 18,6 bilhões.

A combinação entre o cenário internacional e as condições domésticas mantém o mercado brasileiro sujeito a oscilações. Ainda assim, nesta quarta-feira, o alívio nos títulos públicos dos Estados Unidos e a maior disposição global para assumir risco favoreceram o real e as ações brasileiras.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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