FGV estima que PIB desacelerou e cresceu 0,3% no segundo trimestre

FGV estima PIB de 0,3% no 2º trimestre e vê desaceleração

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A economia brasileira recuou 1,1% na passagem de maio para junho, segundo o Monitor do PIB, prévia produzida pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgada nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro. Apesar da queda no mês, o segundo trimestre de 2026 teria registrado crescimento de 0,3%, com destaque para o consumo. No acumulado de 12 meses, o desempenho positivo é de 1,8%.

O que o Monitor do PIB indica

O Monitor do PIB é um estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, que estima o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) com base em dados de indústria, comércio, serviços e agropecuária. O dado oficial do PIB é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Consumo sustenta alta e atividade perde força

De acordo com Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o levantamento mostra desaceleração da atividade econômica. No primeiro trimestre de 2026, o crescimento em relação ao trimestre anterior havia sido de 1%.

A economista afirma que a desaceleração foi sentida nas três grandes atividades pesquisadas — agropecuária, indústria e serviços — e que apenas o consumo não desacelerou no trimestre, mantendo o ritmo de crescimento do início do ano. Segundo ela, a manutenção do crescimento do consumo se deveu principalmente ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis.

Mesmo com a perda de força na comparação trimestre a trimestre, Trece destaca que o período de abril a junho marcou o 20º resultado positivo consecutivo, em meio a um contexto externo e interno considerado desafiador.

Contexto econômico: petróleo, juros e endividamento

Entre os fatores que agravam o cenário macroeconômico, a economista cita a elevação do preço do barril do petróleo, atribuída à guerra no Oriente Médio, os juros em patamares elevados no Brasil e o alto endividamento da população.

No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Segundo o texto do estudo, juros altos são usados como ferramenta para frear a inflação, ao encarecer o crédito e desestimular consumo e investimentos produtivos.

Componentes: consumo, exportações e investimento

No segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 2,6% em relação aos primeiros três meses de 2026. As exportações subiram 4,5%, e as importações, 5,7%, em dados dessazonalizados.

O estudo também estima que a taxa de investimento da economia em maio foi de 18,5% (ante 18,6% no primeiro trimestre). Em valores correntes, o PIB acumulado no primeiro semestre é estimado em R$ 6,557 trilhões.

Prévias, projeções e data do PIB oficial

Além do Monitor do PIB, outro termômetro citado é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado também nesta segunda-feira (17), que indicou recuo de 0,6% em junho ante maio. O Banco Central projeta expansão de 0,2% do primeiro para o segundo trimestre e alta de 1,5% em 12 meses.

O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será apresentado pelo IBGE em 1º de setembro. A última divulgação oficial apontou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026. Já o relatório Focus desta segunda-feira estima que a economia brasileira termine 2026 com alta de 1,98%, enquanto a previsão do Ministério da Fazenda é de variação de 2,3%.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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