Lula diz que só acatará indicação de embaixador dos EUA após eleições

Lula adia agrément de embaixador dos EUA até eleições

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (14), em Brasília, que o governo brasileiro só concederá o agrément ao indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a embaixada norte-americana no Brasil, Daniel Perez, após as eleições de outubro. A declaração foi dada durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.

Agrément só depois de outubro

Lula disse que ouviu que os EUA “queriam mandar duas pessoas” para estudar as urnas e que o Brasil não concedeu visto. Em seguida, afirmou que não aceitará “apressadamente” o embaixador indicado: “Mas, agora, só [vamos aceitar] depois das eleições”, declarou.

O presidente também criticou a demora e o timing da indicação. “Se o embaixador dos EUA é importante para o Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá? E por que só agora, faltando 45 dias para as eleições, eles querem mandar?”, questionou.

Críticas a interferência e defesa do diálogo

Durante a entrevista, Lula criticou tentativas de interferência do governo norte-americano em questões internas do Brasil. Apesar disso, afirmou que o país quer manter boa relação com os Estados Unidos. “Não precisamos brigar. Não quero guerra. Quero discutir [as questões] com seriedade. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos”, disse.

Tensões, tarifas e Lei de Reciprocidade

Ao comentar a relação com Donald Trump, Lula afirmou acreditar que medidas recentes adotadas contra o Brasil não partem diretamente do presidente dos EUA, mas de integrantes da equipe. “Acho que não é ele quem não gosta do Brasil”, disse, citando o secretário de Estado Marco Rubio como um dos responsáveis pelas tensões e como alguém que “não gosta nem do Brasil, nem da América Latina”.

Sobre as tarifas impostas ao Brasil, Lula afirmou que “lamentavelmente eles estão construindo inverdades contra o Brasil”. O presidente declarou que o país entrou com a Lei de Reciprocidade na quinta-feira (13) “para mostrar que a gente não é pouca coisa, e que nós nos respeitamos”.

Lula concluiu dizendo estar preparado para defender os interesses brasileiros: “Estou muito tranquilo, sabendo o que pode acontecer, e preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra”.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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