Crianças viram "mini fiscais" da reciclagem e mudam comportamento de famílias em condomínios de Curitiba

Crianças viram “mini fiscais” da reciclagem e mudam comportamento de famílias em condomínios de Curitiba

Foto: divulgação

Movimento impulsionado por ações de educação ambiental melhora a qualidade da coleta e reduz o volume de resíduos enviados para aterros

Separar o lixo ainda é um desafio dentro de casa, mas em alguns condomínios de Curitiba e região metropolitana, essa mudança tem começado de forma inesperada: pelas crianças. Após participarem de ações práticas de educação ambiental, moradores mais jovens passaram a cobrar os próprios pais na hora do descarte e, em alguns casos, assumiram o papel de “mini fiscais” da reciclagem dentro dos prédios. O reflexo desse comportamento já aparece na rotina dos condomínios e na qualidade do material coletado.

A transformação acontece em um cenário ainda desafiador no país. Apesar de avanços regionais, com o Sul entre as regiões com melhor estrutura de coleta seletiva, o Brasil recicla cerca de 4% a 4,5% dos resíduos urbanos, segundo dados do Panorama de Resíduos Sólidos mais recente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, divulgado em 2024. Quando considerada a atuação de catadores e sistemas informais, esse índice pode chegar a aproximadamente 8%. Ainda assim, o nível de aproveitamento segue baixo: levantamento recente do Ministério das Cidades, divulgado em 2025, indica que menos de 2% dos materiais potencialmente recicláveis são efetivamente recuperados no país.

Nos condomínios onde esse trabalho vem sendo desenvolvido, o impacto é direto: materiais recicláveis passam a chegar mais limpos às recicladoras, há redução de rejeitos e diminui o volume de resíduos que seriam destinados aos aterros sanitários.

Um dos exemplos está em um condomínio atendido pela operação, onde a melhoria na separação ao longo dos meses contribuiu para a redução do volume de rejeitos e para o envio mais adequado dos materiais recicláveis. A mudança, segundo a administração do local, veio principalmente a partir da adesão das famílias após ações de conscientização.

“No começo, quando a gente passou a trabalhar a educação ambiental com os menores, especialmente em ações como o Dia das Crianças, eles começaram a levar isso para dentro de casa e ajudar na separação. Isso muda a dinâmica do condomínio”, afirma Juliano Rabelo, síndico responsável por dez condomínios atendidos pela operação.

Segundo ele, o processo também trouxe melhorias práticas no dia a dia, como a redução da desorganização nas áreas de descarte e maior engajamento dos moradores.

“É um trabalho de formiguinha, mas a gente percebe evolução. Hoje o material chega mais organizado e a participação dos moradores aumentou”, completa.

O movimento é resultado de um modelo de gestão de resíduos que vai além da coleta tradicional. A Eko Bee, empresa curitibana especializada na gestão de resíduos em condomínios, passou a incluir ações contínuas de orientação com moradores, com foco especial nas crianças, que acabam levando o aprendizado para dentro de casa e influenciando o comportamento das famílias.

“Percebemos que as crianças têm um poder muito forte de influência dentro de casa. Muitas vezes elas passam a cobrar os pais, ajudam na separação e acabam criando uma consciência coletiva dentro do condomínio. Isso mostra como a educação ambiental pode gerar mudança prática no dia a dia”, explica Rubens Lopes, cofundador da Eko Bee.

Hoje, o modelo de gestão de resíduos da Eko Bee já está presente em mais de 140 condomínios de Curitiba e região metropolitana, alcançando cerca de 23 mil apartamentos. Na prática, isso representa uma operação que movimenta mensalmente aproximadamente 500 toneladas de resíduos orgânicos e 80 toneladas de recicláveis, volumes que, com a separação adequada, deixam de seguir misturados para aterro e passam a ter maior aproveitamento. Ao longo de cinco anos, esse trabalho contribuiu para evitar a emissão de cerca de 5,3 mil toneladas de CO₂.

Além da mudança de comportamento, a melhoria na separação impacta diretamente a cadeia de reciclagem. De acordo com a associação parceira Eco Frank, que atua na triagem de resíduos na região, o material que chega de condomínios com esse tipo de acompanhamento apresenta menor índice de contaminação e maior potencial de reaproveitamento.

“O material que vem mais limpo facilita muito o nosso trabalho. A gente consegue aproveitar mais e reduzir o que vira rejeito”, afirma Renato da Silva, presidente da associação, que hoje recebe entre 180 e 200 toneladas de resíduos por mês.

A atividade sustenta diretamente 22 famílias.

Na prática, isso significa que materiais como papel, vidro, metais e plásticos têm maior chance de retornar como matéria-prima para a indústria, em vez de serem descartados.

A transformação ainda acontece de forma gradual, mas já aponta um caminho possível: quando a mudança começa dentro de casa, muitas vezes impulsionada pelas crianças, o impacto se estende para todo o sistema urbano de resíduos.

A experiência também começa a abrir novas possibilidades para além dos condomínios. Diante dos resultados observados no comportamento das famílias, a Eko Bee iniciou o desenvolvimento de um projeto para levar ações de educação ambiental para escolas, com atividades práticas e orientações voltadas às crianças. A proposta ainda está em fase inicial e deve começar com atendimento limitado.

Sobre a Eko Bee

A Eko Bee é uma empresa especializada na gestão inteligente de resíduos orgânicos e recicláveis, com atuação consultiva e operacional em condomínios, comércios e indústrias. Seu modelo combina logística eficiente, educação ambiental prática e proximidade com as comunidades para gerar valor ambiental, social e cultural. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, atua na redução de impactos, na promoção de cidades mais sustentáveis e na construção de uma nova consciência coletiva sobre consumo, descarte e bem-estar.

Texto via assessoria de imprensa

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