Governo pede a Alcolumbre que instale comissão sobre MP das Blusinhas

Governo pressiona por comissão da MP das Blusinhas

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo federal informou que vai solicitar formalmente, nesta terça-feira (11), que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determine a instalação da comissão mista responsável por analisar a medida provisória (MP) conhecida como “taxa das blusinhas”. A norma zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras de até US$ 50 feitas pela internet.

A MP 1357 de 2026, editada em maio, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até 8 de setembro, data em que perde a validade. Segundo o governo, há preocupação de a medida caducar em razão da falta de instalação da comissão que deve analisá-la.

Prazo curto e risco de caducidade

O alerta ocorre porque o Congresso marcou sessões de “esforço concentrado” em apenas duas semanas até as eleições, sendo a última entre 31 de julho e 4 de setembro. Nesse cenário, a ausência da comissão mista pode comprometer a tramitação e a votação dentro do prazo.

Guimarães cobra prioridade para a MP

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que pedirá a Alcolumbre a instalação de todas as comissões mistas para análise das MPs do governo, com prioridade para a que zera a “taxa das blusinhas”. “É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula”, afirmou em uma rede social.

Procurada, a assessoria do senador Davi Alcolumbre não se manifestou sobre a possível instalação, ou não, da comissão.

Outras negociações no Congresso

Guimarães acrescentou que o governo também atua para evitar a votação de projetos que prejudiquem “o compromisso com o equilíbrio das contas públicas” e afirmou negociar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114 de 2026.

De acordo com o ministro, o PLP é uma das prioridades do Executivo e cria regras para renúncias de receita, com o objetivo de mitigar impactos do aumento do preço do petróleo motivado pela guerra no Oriente Médio.

Críticas empresariais e ação no STF

A MP enfrenta oposição de setores empresariais, que avaliam que a mudança favorece concorrentes externos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida, alegando violação de princípios constitucionais, como “proteção do mercado interno”.

“Representa uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”, afirmou a CNI em comunicado divulgado quando a MP foi editada.

Para o governo, a medida beneficia o consumo popular. O Ministério da Fazenda informou que a MP foi possível após a adoção de medidas de combate ao contrabando e para maior regularização do setor de compras internacionais on-line.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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