A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram nesta segunda-feira (10) uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. A ação teve cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em cidades de Alagoas e São Paulo, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Quem são os investigados na operação
Entre os alvos está João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos investigados. Também são citados Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev; Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda; e Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.
O que foi autorizado nas buscas e apreensões
Mendonça autorizou a apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias, além de telefones pessoais ou corporativos e documentos físicos, como agendas, anotações, contratos e comprovantes financeiros. As diligências podem ocorrer em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados e também nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.
Suspeitas envolvem letras financeiras do Banco Master
Segundo a PF, as suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, houve novo aporte de R$ 17 mil.
As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos.
Decisão do STF e bloqueio de bens até R$ 97 milhões
Além das buscas, o ministro André Mendonça decretou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis e de valores dos investigados até o limite global de R$ 97 milhões. Na decisão, o ministro afirma que a PF apresentou indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”.
Mendonça também registrou que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master.
Banco Master foi liquidado pelo Banco Central
Pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o banco havia violado normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava grave crise de liquidez.
O que diz o Iprev
Em nota, o Iprev informou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis”. O instituto declarou ainda que seu patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante “a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas”. O Iprev disse que está colaborando com as autoridades.
A reportagem não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.