Dólar cai para R$ 5,10, após juros serem mantidos nos EUA

Dólar cai a R$ 5,10 após Fed manter juros nos EUA

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (29), em um pregão influenciado pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de manter os juros entre 3,50% e 3,75%. No Brasil, a moeda à vista terminou cotada a R$ 5,108, com baixa de 0,27%, enquanto o Ibovespa recuou 1,52% na B3. No exterior, o petróleo disparou mais de 7% em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio.

Reação do mercado ao Fed

A moeda norte-americana oscilou perto da estabilidade durante boa parte do dia, enquanto investidores aguardavam o anúncio do Fed. Na mínima, por volta das 16h20, chegou a R$ 5,09 antes de encerrar a R$ 5,018 (-0,27%). Após a manutenção dos juros, o dólar perdeu força globalmente e ampliou as perdas durante a entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh.

Segundo o noticiário, o mercado reagiu ao tom mais moderado adotado por Warsh e à divisão entre os dirigentes da autoridade monetária. Embora tenha reafirmado o compromisso com a meta de inflação de 2%, Warsh destacou sinais recentes considerados positivos para o comportamento dos preços, o que foi interpretado como um discurso menos duro.

A decisão foi dividida: nove integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção dos juros, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual. Ainda assim, o mercado continuou precificando uma elevada probabilidade de aumento dos juros na reunião de setembro.

Carry trade e petróleo favorecem o câmbio

O câmbio também foi favorecido pelo maior apetite por operações de carry trade, apoiadas na diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, a valorização do petróleo melhorou o fluxo de recursos para o Brasil, exportador do produto. Dados domésticos, como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial, ficaram em segundo plano.

Ibovespa recua e Petrobras limita perdas

Na bolsa brasileira, o índice Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,52%, a 173.885 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho das ações de bancos. O ambiente externo também pesou: apesar da manutenção dos juros pelo Fed, a divisão entre os dirigentes reforçou incertezas sobre a trajetória da política monetária dos Estados Unidos, enquanto o aumento das tensões geopolíticas elevou a aversão ao risco nos mercados globais.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 1,55%, refletindo a cautela dos investidores diante da possibilidade de novos aumentos de juros. No Brasil, ações da Petrobras, as mais negociadas, amenizaram parte das perdas ao acompanhar a alta do petróleo: os papéis ordinários subiram 2,35% e os preferenciais avançaram 1,92%.

Petróleo sobe com tensões no Oriente Médio

O petróleo interrompeu a sequência de quedas e avançou mais de 7% após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O barril do tipo Brent para outubro fechou em alta de 7,32%, a US$ 88,09, e o WTI para setembro subiu 6,56%, para US$ 84,46.

O movimento foi atribuído à intensificação dos ataques envolvendo forças norte-americanas e grupos apoiados pelo Irã. Declarações do presidente Donald Trump sobre uma resposta militar e o risco de escalada do conflito em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo também reforçaram a alta. Os preços ainda receberam impulso da queda dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, acima do esperado pelo mercado.

Principais números do dia

Dólar à vista: R$ 5,108 (-0,27%); Ibovespa: 173.885 pontos (-1,52%); Petróleo Brent: US$ 88,09 o barril (+7,32%); Petróleo WTI: US$ 84,46 o barril (+6,56%).

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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