O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre de 2025, foram 8,26 milhões de registros. Os dados são de um levantamento da Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, divulgado em 18 de julho de 2026, em Brasília.
Segundo a Quod, o avanço reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central (BC), que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes. Pelos critérios da empresa, os indícios incluem tanto suspeitas quanto casos de fraude consumados.
Base colaborativa reúne informações do sistema financeiro
O estudo foi elaborado a partir do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas. O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.
Além de apoiar estratégias de prevenção, o Rufra atende às exigências da Resolução 501, que tornou mais robusta a troca de informações entre instituições financeiras. Com isso, tentativas de fraude que antes não eram registradas passaram a integrar uma base única de inteligência, ampliando a capacidade de detecção do sistema financeiro.
Celular, Pix e engenharia social concentram ocorrências
O ambiente digital segue concentrando a maior parte das fraudes financeiras no país. O celular foi usado em 78% dos casos registrados, enquanto contas correntes apareceram em 94% dos indícios. O Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das fraudes.
A engenharia social, baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros — o equivalente a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.
Jovens são os principais alvos e há reincidência
Entre as 3,1 milhões de pessoas vítimas de fraudes no período, a maior parte está na faixa de 18 a 34 anos (49,06%), seguida por 35 a 49 anos (29,98%). Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos.
O levantamento também apontou reincidência: cerca de 799 mil vítimas — aproximadamente um quarto do total — sofreram golpes duas vezes ou mais no semestre.
Orientações de prevenção
A Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações financeiras, principalmente pelo celular, e orienta evitar decisões financeiras apressadas, não clicar em links recebidos por mensagens e não emprestar conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros.
Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.