Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA, diz Durigan

Brasil vai negociar tarifa de 25% dos EUA, diz Durigan

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17), em São Paulo, que o governo brasileiro não deixará de negociar as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil nesta quinta-feira (16). Segundo ele, a aplicação de uma tarifa de 25% pelo governo norte-americano é “injusta” e, por isso, o Brasil seguirá apresentando argumentos no debate econômico e comercial.

Reciprocidade em análise, sem “retaliação”

Durigan disse que o governo estuda medidas de reciprocidade diante da taxação e que a avaliação está sendo feita “com cautela”, inclusive em diálogo com empresários. O ministro afirmou que a medida deve ser usada “na medida e no tempo correto” e ressaltou que “não cabe falar em retaliação”, porque o foco é proteger a economia brasileira e manter a estabilidade.

“O Congresso Nacional aprovou por unanimidade uma lei que protege os interesses nacionais oferecendo um procedimento próprio para ser utilizado em casos de ataque injustificado ou unilateral de outros países”, afirmou, ao explicar o contexto da análise.

Tarifa “não faz sentido”, afirma ministro

Para Durigan, sob a própria lógica do governo dos Estados Unidos, a tarifa imposta ao Brasil “não faz sentido”. Ele argumentou que o Brasil tem déficit na balança comercial com os EUA e afirmou que brasileiros, famílias e empresas “pagam para os Estados Unidos”, gerando déficit para o Brasil e superávit para os norte-americanos.

O ministro também disse que o Brasil “conseguiu consolidar sua economia”, o que, segundo ele, dá condição de proteger a população, “como fizemos no caso dos combustíveis”.

“Punição geral” e críticas aos fundamentos

Ao comentar a imposição das novas tarifas, Durigan afirmou que o governo de Donald Trump desconsiderou qualquer debate setorial e aplicou “uma espécie de punição geral ao Brasil”. Segundo ele, foi apresentado um fundamento ligado a “práticas comerciais indevidas”, mas os argumentos seriam “falsos”, citando menções a desmatamento e “outras coisas”.

Durigan reforçou que seguirá negociando com representantes dos Estados Unidos nos próximos meses e disse que levará a “insatisfação” e os argumentos do Brasil “com respeito”, destacando o impacto para a relação bilateral.

Pix não entra na negociação

O ministro também garantiu que o Pix “não está em negociação”. Ele reagiu à avaliação do governo norte-americano de que a ferramenta seria uma ameaça às relações comerciais e afirmou que classificá-la como prática desleal é “um completo absurdo”. Segundo Durigan, o Pix é uma infraestrutura pública aberta, que ampliou transações no Brasil, e será preservado como serviço público oferecido aos brasileiros.

Durigan vê “argumento político-eleitoral”

Para o ministro, é “evidente” que há um argumento político por trás da taxação aplicada ao Brasil. Ele disse que, como o Brasil “ganha o argumento técnico” e econômico, restaria um “argumento político-eleitoral” e criticou quem apoiaria esse tipo de medida contra o país por benefício eleitoral, afirmando que isso contraria interesses nacionais, empresas, trabalhadores e investimentos, além de afetar exportações para os EUA.

Fonte: Agência Brasil. Texto reescrito com base na publicação original.

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